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'Não preciso de blindagem', diz Cunha sobre CPI da Petrobras

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Investigado na Operação Lava Jato, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), rebateu nesta sexta-feira (12) as críticas de que estaria sendo blindado pela CPI da Petrobras na Casa.

Na sessão desta quinta (11), a cúpula da CPI manobrou para que não se votassem requerimentos de convocação de pessoas que poderiam incriminar o peemedebista. A comissão acabou aprovando requerimentos para pressionar a família do doleiro Alberto Youssef, principal delator contra Cunha.

“Não necessito da blindagem de quem quer que seja. Convoquem quem quiserem convocar. Eu já fui à CPI e volto quantas vezes quiserem. Então, eu não tenho nenhuma preocupação em relação a isso”, afirmou.

Mesmo sem indícios que os envolvam no esquema, a CPI aprovou requerimentos do deputado Celso Pansera (PMDB-RJ), aliado de Cunha, para convocar e quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônico das duas filhas do doleiro, da esposa e da irmã dele.

Em sua delação premiada, Youssef afirmou que Cunha se beneficiava do esquema de corrupção na Petrobras e que, por meio de aliados, apresentou requerimento para pressionar uma das empresas a retomar o pagamento de propina. A Folha revelou que Cunha aparece como autor dos arquivos digitais de dois requerimentos da ex-deputada Solange Almeida (PMDB-RJ) contra a empresa Mitsui, fornecedora da Petrobras.

Cunha afirmou ainda que não sabia quais requerimentos estavam sendo votados pela CPI nesta quinta e disse não estar preocupado com o que seria decidido pela comissão. “Nem tomei conhecimento do que estava sendo votado, sequer estou preocupado com o que está sendo votado”, disse.

REQUERIMENTOS

A pauta da sessão da CPI foi montada pelo presidente da comissão, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), homem de confiança de Cunha, que deixou de fora requerimentos para convocar três personagens relevantes: o empresário e delator da Lava Jato Júlio Camargo, que cuidava do contrato apontado como fonte da propina para Cunha, o ex-policial federal Jayme Alves de Oliveira, que disse em depoimento ter entregue dinheiro para Cunha e depois recuou, e a ex-deputada Solange Almeida.

A CPI aprovou um bloco de 140 requerimentos, principalmente contrários ao PT e ao governo Dilma Rousseff, enquanto a sessão no plenário da Casa havia sido suspensa por Cunha.

Pouco depois da aprovação desse bloco, o presidente da Câmara deu início às votações no plenário da Casa, o que regimentalmente impede que a CPI fizesse votações -justamente quando parlamentares defendiam aprovar os requerimentos prejudicais a ele.

Responsável por conduzir a votação já que o presidente Hugo Motta saiu mais cedo por ter compromisso familiar em seu Estado, o vice-presidente da CPI, Antônio Imbassahy (PSDB-BA), disse que os requerimentos “serão incluídos em uma outra oportunidade”.

Ontem, Imbassahy admitiu “sincronia” com Cunha para que a votação ocorresse na CPI mas Cunha negou tal fato nesta sexta.

“Se houve sincronia, foi de nado e eu não estou fazendo nado [sincronizado]”, ironizou. “Eu não entendi porque a CPI marcou na mesma hora da ordem do dia. Então, não é o plenário que vai se submeter às comissões mas são elas que têm de se submeter ao plenário”, disse.

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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