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"Novela não acaba com preconceito", diz Timberg sobre crise de "Babilônia"

No ar como Estela, mulher de Teresa (Fernanda Montenegro), com quem vive há mais de 30 anos, a veterana Nathalia Timberg, 84, classificou como “cretino” o boicote à novela das nove “Babilônia”, da Globo, e questionou a “deturpação de critérios” do público, que segundo ela prefere um casal homossexual cômico em vez de um casal gay não caricato. 

Em conversa com o UOL por telefone, a atriz ainda afirmou que o Brasil carece de educação e que, diante das mudanças no roteiro, coube ao elenco cumprir com talento o que o novo texto da novela tem oferecido. “Fernanda [Montenegro, eu, Glória [Pires], enfim, todo elenco está querendo responder com qualidade de trabalho a agressão que sofreu. Estamos em volta da obra trabalhando, criando o trabalho com a dignidade que a nossa profissão precisa ser encarada”, afirmou.

Nathalia, que sabia que estaria em volta de um trabalho polêmico ao interpretar uma senhora lésbica que cria o neto Rafael (Chay Suede) como se fosse seu filho e luta pelos direitos dos homossexuais, ficou atônita com a “comoção nacional” contrária que o beijo gay do primeiro capítulo provocou.

“As questões são colocadas, não há nenhuma apologia. Acho muito mais grave a parte de humor que se faz em cima disso [homossexualidade]. São colocações pobres e negativas. É de uma crueldade, de uma deformação de critérios lamentáveis. [A relação da Tereza e da Estela] não é caricaturada. Vamos ignorar que isso acontece na nossa sociedade? As consequências [as mudanças feitas na novela] são lamentáveis. Foi um dos beijos mais castos que eu vi na televisão, uma expressão de ternura. A coisa deformada está na cabeça de quem avalia isso assim”, defendeu. 

Nathalia, que interpretou Bernarda em “Amor à Vida” (2013-2014), trama que exibiu o beijo entre os personagens Félix (Mateus Solano) e Nico (Thiago Fragoso), questionou a visão dos telespectadores que aprovam a situação desde que ela seja colocada no ambiente cômico.

“Não acho que a homossexualidade tenha que se tornar a tônica dos trabalhos, mas faz parte dos temas abordados. Eu mesma fiz ‘Amor à Vida’, em que havia esse assunto. As pessoas acham engraçado quando se faz galhofas a respeito. E outra, já houve um casal feminino em tramas anteriores e não houve nenhum drama”, analisou a atriz. A antecessora “Em Família”, de Manoel Carlos, também exibiu a relação homossexual entre duas mulheres – as personagens Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Muller).

A atriz, que contou não ter lido a polêmica entrevista de Gilberto Braga ao jornal “O Globo” quando conversou com a reportagem, disse saber que a baixa audiência no Ibope ocorreu em todos os estados brasileiros, não apenas em São Paulo – como dito pelo autor. E questionou o papel da imprensa ao tratar das polêmicas.

“Tivemos uma reação absolutamente cretina no começo. Engraçado que vemos coisas mais absurdas na TV e ninguém se manifesta. Às vezes, a imprensa acaba sendo muito responsável, mas deve achar que está absolvida pela sociedade”, criticou.

Divulgação Uma novela não tem o poder de acabar com o preconceito, mas pode gerar uma reflexão nas pessoas afirma a atriz Nathalia Timberg

Por fim, Nathalia acredita que o casal lésbico da trama pode ainda proporcionar grandes reflexões para o público até o fim do folhetim, especialmente com a aproximação Estela e Laís (Luisa Arraes), a namorada de Rafael (Chay Suede) criada em uma família conservadora e que rejeitava o casal de senhoras. “Ela está vendo que essas duas senhoras não são dois monstros”. 

Filha do corrupto moralista Aberbal Pimenta (Marcos Palmeira), Laís prometer reforçar a batalha das duas sogras contra a homofobia.

“Uma novela não tem o poder de acabar com o preconceito da sociedade, mas pode fazer com que as pessoas comecem a refletir. A ideia dos autores é essa, evidentemente. Ver aonde levam os vários comportamentos”, analisou.

“O quadro moral que temos dentro do país [não é dos melhores]. Aqui, parece que é uma espécie de biombo para não se falar de coisas graves. Pessoas esfaqueadas, crianças estupradas, meninas grávidas aos 12 anos. Estamos em pleno século 21 e temos perseguições religiosas… O ser humano, em vez de progredir, parece que regride. Se estamos apresentando uma sociedade doente, é a nossa, infelizmente”.

Fonte: Bol.com.br

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