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Oposição recupera poder na Dinamarca graças a crescimento da direita xenófoba

Anxo Lamela.

Copenhague, 18 jun (EFE).- A oposição de direita recuperou o poder nesta quinta-feira na Dinamarca graças ao espetacular crescimento do Partido Popular Dinamarquês, legenda de caráter xenófobo que se transformou na segunda força após ultrapassar os liberais de forma surpreendente.

No entanto, o líder opositor, o liberal Lars Lokke Rasmussen, desponta como futuro primeiro-ministro, já que conta com o apoio de toda a oposição, inclusive a direita xenófoba, que deverá decidir agora se entra no governo ou o apoia de fora, como fez com o Executivo liberal-conservador que governou de 2001 a 2011.

Por sua vez, a atual primeira-ministra dinamarquesa, Helle Thorning-Schmidt, anunciou que renuncia como líder do Partido Social-Democrata após a derrota nas eleições gerais.

“A liderança consiste em retirar-se no momento adequado, e esse momento é agora”, afirmou Thorning-Schmidt em entrevista coletiva nas dependências de seu partido no parlamento dinamarquês.

Além disso, a primeira mulher a se transformar em chefe de governo na Dinamarca em 2011 informou que amanhã, sexta-feira, apresentará sua renúncia como primeira-ministra.

O triunfo da oposição, que obteve 52,4% dos votos, com 90% das urnas apuradas, foi mais folgado do que apontavam as enquetes dos dias prévios e as pesquisas de boca de urna, que previam uma ligeira vantagem e um papel decisivo para as quatro cadeiras reservadas aos territórios autônomos da Groenlândia e das Ilhas Faroe.

As 90 cadeiras obtidas provisoriamente pela direita, contra as 85 do bloco governamental de centro-esquerda (que ficou com 47,6% dos votos), representam exatamente a maioria absoluta e tornam irrelevantes os resultados dos territórios autônomos.

Rasmussen, que ocupou a chefia de governo entre 2009 e 2011, deverá formar governo em situação de fraqueza e com legendas antagônicas em vários pontos como a Aliança Liberal e os “populares”, que apostam em endurecer as já ferrenhas políticas de imigração da União Europeia e em aumentar o gasto público.

Com uma ascensão de quase nove pontos, até 21,2%, parece difícil que o Partido Popular, que já ganhou as eleições europeias de um ano atrás na Dinamarca, possa manter-se como apoio externo do futuro governo, apesar de seu líder, Kristian Thulesen Dahl, manter a ambiguidade mesmo após a divulgação dos resultados.

A queda de sete pontos em relação a 2011, que assim deixa de ser a força mais votada para se tornar a terceira, com 19,5%, representa um duro golpe para Rasmussen, que pagou caro por escândalos relacionados com contas pagas pelo partido e por uma organização internacional que há um ano quase lhe custaram o comando do partido.

Já o Partido Social-Democrata da ainda primeira-ministra, Helle Thorning-Schmidt, recuperou pelo menos a condição de força mais votada, com 26,4%, um ponto e meio a mais, bons números após uma legislatura convulsa, com um governo em minoria contestado por seus cortes e por pactuar reformas com a direita.

Para Thorning-Schmidt representa, além disso, o primeiro avanço em eleições em seus dez anos à frente do partido, um resultado que poderia lhe permitir continuar em seu cargo, mas que não foi suficiente devido ao naufrágio dos social-liberais, seu parceiro no Executivo, e dos socialistas populares.

Os social-liberais viram seu apoio reduzido à metade, até 4,6%, enquanto os socialistas, que abandonaram o governo na metade de legislatura pela polêmica privatização parcial do principal grupo energético, caíram cinco pontos até 4,2%.

Por sua vez, a Lista Unitária se transformou na quarta força com 7,8% dos votos, um ponto a mais; enquanto a Alternativa, uma nova legenda ecologista de centro, alcançou 4,6%.

Também registrou um avanço considerável a Aliança Liberal, que sobe de 5% a 7,5%, enquanto o Partido Conservador, que nos anos 80 chegou a liderar vários governos, continua a linha descendente da última década e alcança um mínimo histórico de 3,4%, um ponto e meio pior.

A campanha eleitoral esteve marcada inicialmente por temas como as reformas do Estado de bem-estar e dos programas de desemprego, mas quando as pesquisas começaram a apontar uma virada da centro-esquerda, Rasmussen usou uma cartada certeira: a da imigração, neste caso centrada nos refugiados.

A imigração foi o tema principal dos pleitos dinamarqueses desde 2001, quando a direita chegou ao poder com uma campanha dura e com um tom roçando a xenofobia, principalmente contra a minoria muçulmana, marcado pelo Partido Popular e que transformou a política dinamarquesa moderna.

Fonte: Bol.com.br

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