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Papa Francisco diz que imigrantes não devem ser tratados como mercadoria

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O papa Francisco pediu neste domingo que os países não tratem os imigrantes como se fossem mercadorias e denunciou as conexões mafiosas e a corrupção, durante sua primeira visita a Turim, no norte da Itália.

“O espetáculo dos últimos dias, destes seres humanos tratados como mercadorias, nos faz chorar”, disse o pontífice em um discurso a representantes do mundo do trabalho na Piazzetta Reale.

No momento em que a União Europeia (UE) se encontra dividida a respeito de como receber os migrantes, o papa criticou mais uma vez as manifestações de rejeição a eles, em particular no norte industrial italiano.

“Se a imigração aumenta a concorrência (econômica), não se pode culpar (os migrantes) por isto, porque são vítimas da injustiça, da economia da rejeição e das guerras. Os seres humanos não devem ser tratados como mercadoria”, declarou.

No momento de maior simbolismo religioso da visita, Francisco ficou diante do Santo Sudário, um lençol que teria envolto o corpo de Jesus Cristo.

O objeto está exposto ao público na catedral de São João Batista de Turim até 24 de junho.

Desde 19 de abril, 1,2 milhão de pessoas compareceram ao local para observar o Santo Sudário, que Francisco, assim como os antecessores, chamou de ‘ícone’, representação que permite aos fiéis aproximar-se do mistério da Paixão de Cristo.

O pontífice criticou ainda alguns dos males da Itália.

“Não à corrupção, que hoje é tão frequente que parece ter se transformado em um comportamento normal, não às conexões mafiosas, às fraudes, aos subornos”.

“Não a uma economia do desperdício”, completou, antes de afirmar que atualmente se descarta rapidamente quem não produz, seguindo o modelo de “usar e largar”.

Em Turim, “os excluídos que vivem na pobreza absoluta representam quase 10% da população. Se exclui as crianças —uma taxa de natalidade zero—, os idosos e agora os jovens: mais de 40% destes não têm emprego”, denunciou o pontífice.

“As crianças e os idosos são a promessa e a riqueza de um povo”, disse, antes de pedir aos italianos que demonstrem “coragem”, apesar da crise.

Na homilia na praça Vittorio, o papa emocionou os moradores ao mencionar símbolos fortes da cultura regional, sobre os quais sua avó Rosa falava em Buenos Aires quando ele era criança.

Durante o Angelus, o papa foi muito aplaudido quando se declarou “neto” de Piamonte, diante de 60.000 fiéis na praça Vittorio, no centro da cidade.

Jorge Bergoglio nasceu em Buenos Aires em 1936. Alguns anos antes, sua família paterna deixou Portacomaro, uma localidade de Piamonte, próxima de Asti, para morar na Argentina.

Com um almoço privado com detentos, moradores de rua e uma família cigana, Francisco também celebrou o bicentenário de São João Bosco, grande figura do catolicismo italiano e de Piamonte, “apóstolo dos jovens”, que se dedicou à educação das crianças desfavorecidas e fundou a congregação dos salesianos.

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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