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PF investiga suspeita de discriminação contra israelenses em faculdade do RS

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A Polícia Federal no Rio Grande do Sul instaurou um inquérito para apurar se houve racismo em um levantamento de informações da Universidade Federal de Santa Maria sobre a atuação de israelenses na instituição.

Em maio, o pró-reitor José Fernando Schlosser encaminhou um documento aos responsáveis pelos programas de pós-graduação da universidade pedindo informações sobre a “presença” de discentes ou docentes de Israel nos cursos ou projetos de pesquisa.

O memorando mencionava que o questionamento era motivado por um pedido de representantes de sindicatos e entidades estudantis da universidade.

Em 2014, servidores, professores e estudantes integrantes de um comitê pró-Palestina haviam feito uma solicitação à reitoria, via Lei de Acesso à Informação, sobre a participação da universidade em projetos de cooperação com empresas israelenses. Uma das perguntas era se a universidade recebia ou tinha a perspectiva de receber “alunos/professores/autoridades/profissionais” de Israel.

O pedido de informação feito pelos sindicatos afirmava que a universidade deveria manter relações apenas com quem respeitasse princípios defendidos pelo governo brasileiro e que Israel era responsável por um “massacre” contra o povo palestino.

O memorando provocou revolta na comunidade judaica do Rio Grande do Sul, que acusou a universidade de discriminação. A Federação Israelita gaúcha o considerou um “grave” episódio e reflexo do recrudescimento de ações antissemitas no Estado.

O inquérito da PF foi instaurado na última sexta-feira (5) e terá depoimentos já nesta semana.

Em nota, a universidade afirmou que a Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa apenas buscou cumprir o que determina a Lei de Acesso à Informação. Também afirma que em momento algum tentou “identificar e apontar pessoas de origem israelense” e que tem história de respeito a diferenças.

A reitoria diz ainda que foi vítima de uma fraude, já que uma versão adulterada do memorando do pró-reitor circulou por redes sociais pregando o boicote a Israel. A falsificação do documento também será investigada pela Polícia Federal.

Procurada, a universidade informou, por meio da assessoria de comunicação, que José Fernando Schlosser se manifestou sobre o caso por meio da nota.

O Ministério da Educação também questiona o procedimento da pró-reitoria no caso e afirmou que a Lei de Acesso à Informação não pode ser usada para “violar os direitos de outros cidadãos”.

Reprodução

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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