Protesto contra tucano marca abertura de feira de petróleo em Macaé

Macaé (RJ) – A oitava edição da Brasil Offshore — Feira e Conferência Internacional da Indústria de Petróleo e Gás, que acontece até sexta-­feira em Macaé, começou sob protestos. Um grupo de manifestantes invadiu o auditório do Centro de Convenções e interrompeu o discurso do senador José Serra (PSDB), que começava a apresentar o projeto de lei de sua autoria que propõe o fim da exclusividade da Petrobras na operação do regime de partilha nos campos do pré-­sal.

Integrantes de um grupo ligado à CUT (Central Única dos Trabalhadores) e ao Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) promoveram um “apitaço” e gritavam palavras de ordem como “fora, entreguista”. Em resposta, boa parte da plateia gritava “fora, PT”.

A confusão durou cerca de 15 minutos e a Guarda Municipal precisou agir para que o senador, enfim, começasse a discursar. “Não podemos permitir que a Petrobras sirva para tapar rombos econômicos do governo. Se o governo for esperto, vai aprovar esse projeto. É bom para o governo e é bom para a Petrobras. Se trata de fortalecer e não de enfraquecer a empresa”, disse Serra.

Sua proposta defende que a Petrobras passe a ter uma participação mínima de 30% nos blocos exploratórios. “Para a Petrobras esse meu projeto é um alívio, pois tira uma obrigatoriedade que ela não tem condição de cumprir e fica facultativo. Isso ajuda a empresa sem dúvida nenhuma”.

O senador afirmou que trabalha para que a Petrobras não seja usada de maneira oportunista e irresponsável. “Não tem o menor cabimento dizer que nosso petróleo vai cair nas mãos do imperialismo, até porque esse termo nem se usa mais”.

A presença do senador era o momento mais esperado da abertura da feira, mas seu discurso não durou mais que 20 minutos. “Eu sei lidar com fascistas. Eles me perseguiram aqui e no Chile, quando fui exilado”, disse o senador assim que os ânimos se acalmaram. Devido aos manifestantes, não houve debate, como estava previsto. Ao encerrar, Serra precisou de um esquema de segurança montado às pressas para poder deixar o local. E foi embora sem falar com a imprensa.

O prefeito de Macaé, Aluízio dos Santos Júnior, o Dr. Aluízio (PMDB), chegou a pegar o microfone e pedir para que os manifestantes encerrassem o protesto. “Vivemos numa democracia e manifestações fazem parte, mas estamos num evento com a participação de todos e é preciso que haja respeito”.

Superação dá o tom da feira

Dr. Aluízio abriu oficialmente a feira com um discurso informal, onde traçou um paralelo com a cidade de Bergen, na Noruega, que também vive da indústria do petróleo. “O petróleo representa 12% do PIB nacional e 30% do PIB do Estado do Rio. A Petrobras precisa voltar a explorar, precisa voltar a produzir e o Brasil precisa saber que tem um investimento forte. Essa feira, acima de tudo, é uma feira de boas informações e de superação. Vamos mostrar que Macaé tem como deixar a crise um pouco de lado”.

Ele lembrou que Macaé é responsável por 80% da produção de petróleo do país e que a Brasil Offshore é a terceira maior feira de petróleo do mundo. A expectativa dos organizadores é que a feira receba representantes de 38 países, além de 53 mil visitantes e 700 expositores e com previsão de atrair R$ 1 bilhão em negócios nos próximos dois anos.

Para Paulo Otávio Pereira, vice-­presidente da Reed Exhibitions, empresa responsável pela organização da feira, o resultado será bastante positivo. “Mesmo em tempos de crise, atingimos 98% do resultado estimado e isso é um sinal da importância do evento”.

Para esta quarta e quinta­-feira (dias 24 e 25) estão previstas rodadas de negociações que vão facilitar novos contatos e negócios, reunindo as principais âncoras do setor petrolífero. Sexta­-feira o evento é aberto a estudantes do mercado de óleo e gás.

Queda nos investimentos

Um dos convidados a participar do painel sobre o atual cenário econômico do país na abertura da feira, o diretor­-geral da Onip (Organização Nacional da Indústria do Petróleo), Eloi Fernandez y Fernandez, afirmou que a indústria apoia o projeto de lei do senador José Serra. “A indústria como um todo sempre defendeu a postura de achar que um operador único traz um vício que acaba se refletindo também numa outra questão ruim para a indústria que é o cliente único. Abrindo, isso ajudaria a mudar a realidade do setor porque você traz outras indústrias, outras ativcidades de investimento e coloca a indústria brasileira de cara para o gol do fornecimento internacional, entre outros fatores que são favoráveis”, declarou.

Em relação aos investimentos em Macaé, Fernandez disse que certamente haverá uma queda de investimento de acordo com o novo plano estratégico da Petrobras. “Mas vale a pena ressaltar que, mesmo com essa queda, os volumes de investimento ainda são extremanente significativos em qualquer lugar do mundo. As oportunidades que estão aí colocadas são significativas”, destacou.

Segundo ele, outro fator que está a cada dia se configurando de forma melhor para a indústria nacional são as operações das atividades offshore não só da Petrobras, mas das outras companhias, que têm crescido de forma muito positiva, gerando um conjunto de novas oportunidades. “O total do dispêndio colocado pela indústria do petróleo é o maior dispêndio da atividade industrial do Brasil. E isso vai continuar nos próximos anos”, ressaltou.

Ele foi veemente ao dizer que para voltar ao ritmo de investimento anterior. “As oportunidades que vão se colocar à frente são excepcionais, mas vão depender de uma série de fatores e de como será possível conseguir escapar da tempestade perfeita. Estamos no núcleo de um furacão e vamos ter de sobreviver ­ e certamente sobreviveremos ­ e vamos ter buscar quais são os vetores que vão dar liberdade para fora desse furacão”.

Originalmente matéria publicada no Jornal O Dia (http://odia.ig.com.br)

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