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São Paulo Companhia de Dança abre temporada exalando juventude

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Garotos e garotas dançando em suas tribos, encontrando e desencontrando seus pares, brincando de descobrir o mundo. “Indigo Rose”, coreografia que a SPCD (São Paulo Cia. de Dança) estreia nesta quinta (4), é uma espécie de rito de passagem dançante.

A obra foi criada pelo tcheco Kylián para a NDT 2, divisão para jovens da famosa companhia holandesa Nederlands Dans Theater. Kyliánc foi diretor artístico da NDT de 1976 a 1990 e coreógrafo da companhia até 2009.

Ele montou sua “rosa azul” (índigo é um corante no tom típico das calças jeans) em 1998, para bailarinos de 17 a 22 anos. “Pedi para esses jovens se lembrarem da época em que decidiram ser bailarinos e buscarem seus ideais do período como uma rosa ‘azul índigo’, algo inalcançável, mas que vale a pena procurar”, diz Kylián à Folha.

O programa de abertura da temporada da SPCD no Teatro Sérgio Cardoso é uma “Noite Kylián”. Além de “Índigo Rose”, serão apresentadas outras duas coreografias do tcheco –”Petite Mort” e “Sechs Tänze”–, além de um trecho do vídeo “Birth-Day”.

A coreografia do vídeo foi criada para a NDT 3, o oposto do ramo jovem da companhia holandesa. A divisão foi criada para bailarinos que estão “naquela idade precária entre os 40 anos e a morte”.

Ao som de Mozart, uma dupla com roupas e perucas do século 18 executa uma dança divertida sobre amor, vida e morte. São esses os grandes temas da obra do tcheco.

“Tenho quase vergonha de dizer, mas meu grande ideal, minha ‘indigo rose’, é ser tocado pelo amor profundo, não só no sentido sexual. A dança é esse tipo de amor”, diz.

Para ele, amor e morte são os fatos mais ricos e desconhecidos da existência, unidos no mesmo nó –”Petite Mort” (pequena morte), outra coreografia da noite, é o termo francês para o pós-orgasmo.

“Quanto mais velho fico, mais penso na morte. Mas acho que vou viver mais de cem anos”, diz ele, hoje com 68. “Todas as obras que fiz são de amor e morte. Sempre.”

Mas sempre com muito humor também. Em “Indigo Rose”, ao som de Bach, as crianças prestes a se tornarem adultos fazem caretas, rebolam e se provocam em danças que lembram rituais tribais. “‘Indigo’ junta a linguagem clássica com a liberdade de movimento, brinca com impulsos da juventude”, diz
Inês Bogéa, diretora artística da SPCD.

No cenário, uma cortina de seda branca escorre pelo palco, como uma vela de navio, criando outra dança com as sombras dos bailarinos.

A cenografia, criada pelo próprio Kylián, foi inspirada no poema “A Vela”, do russo Mikhail Lérmontov (1814-41).

A vela, diz a poesia, “alveja sozinha no azul obscuro do mar”. Para o coreógrafo, ela é o grande símbolo da passagem pela vida. Para o público, uma imagem ondulante de sua dança de amor e morte.

NOITE JIRÍ KYLIÁN
QUANDO qui. e sáb., às 21h, sex., às 21h30, dom., às 18h; até 7/6
ONDE Teatro Sérgio Cardoso, r. Rui Barbosa, 153, tel. (11) 3288-0136
QUANTO R$ 30
CLASSIFICAÇÃO 14 anos

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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