Últimas

Tudo e todos juntos num só lugar

Jovens, adultos, pessoas da melhor idade. Além de unir diferentes faixas etárias que visitam as barracas, as feirinhas do Recife também agregam diferentes perfis de artesãos. Desde os mais novos, que têm a arte como única fonte de renda, até pessoas mais velhas, que buscam incrementar a aposentadoria com o valor apurado nas vendas dos produtos. O grupo eclético que frequenta os eventos de rua também engloba artistas plásticos que já conquistaram espaço no mercado, mas que não abrem mão de fazer contatos durante a exposição nas feiras.

Segundo Wânia Lacerda, gestora de apoio às cadeias produtivas do Programa de Desenvolvimento do Artesanato (Prodarte), da Prefeitura do Recife, as feiras da cidade oferecem diversidade de produtos e de expositores. “Sempre selecionamos artesãos que transformam a matéria-prima em produto. Por isso, as pessoas que expõem nas feirinhas têm perfis muito diferenciados”, diz. Nas seis feiras gerenciadas pelo Prodarte no Recife, há quem acabou de ingressar no ramo e quem trabalha há mais de duas décadas com artesanato.

É o caso da aposentada Bertilda Gomes Lins, que trabalha com tear há 25 anos. Mantas, redes e caminhos de mesa são confeccionados fio a fio com a ajuda de cinco pessoas da família e vendidos na feirinha da Lagoa do Araçá. O valor apurado com as vendas, dividido entre os artesãos, é bem-vindo para ajudar a quitar as despesas da casa. “Só a aposentadoria não seria suficiente. O dinheiro paga as contas e traz satisfação por ter sido fruto de um produto feito por nós”, afirma Bertilda. Para ela, feirinhas menores rendem mais lucros do que grandes eventos como a Fenearte. “Na Lagoa, a clientela já é certa.”

Até mesmo quem já se consolidou no mercado vê nos eventos uma oportunidade para relembrar as origens. Com seis lojas distribuídas em Pernambuco, na Bahia e no Rio de Janeiro e 17 mil itens à venda, o artista plástico Beto Kelner, criador da marca Gatos de Rua, enxerga nas feirinhas uma oportunidade de aprender com o comércio em vias públicas. “Comecei em 2004, na Feira do Bom Jesus, trabalhando com adolescentes que faziam trabalhos reciclados. Hoje tenho quase 600 pessoas envolvidas com a marca. Elas produzem roupas, acessórios, quadros e utilitários partindo de uma proposta socioambiental.”

Incrementar a renda das famílias e, de quebra, estimular práticas de proteção ao meio ambiente também são  objetivos do Espaço de Comercialização da Economia Solidária (Escoes), na Unicap. Reunindo reciclados feitos pelas mães de estudantes do Liceu e por indígenas, a feira busca reunir associações, cooperativas e grupos de troca. “Procuramos fortalecer a ideia de um consumo consciente e responsável dos produtos e serviços de origem solidária”, explica Carlos Vieira, responsável pela organização do Escoes.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *