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'A confeitaria é mais difícil porque é uma ciência', diz Buddy Valastro, o Cake Boss



17/07/2015 – 13h04



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NATÁLIA PORTINARI
COLABORAÇÃO PARA O “F5”

Buddy Valastro —conhecido como “Cake Boss”— está passando uma temporada no Brasil para gravar uma versão brasileira de seu reality show, “Batalha de Confeiteiros”, produzido pela Record e pelo Discovery Home & Health.

A estreia do programa está programada para o fim de setembro, mas as gravações já começaram. Ao contrário do “MasterChef”, o chef garante que seu programa será à prova de “spoilers”.

De ascendência ítalo-americana, Valastro é conhecido mundialmente por seus bolos performáticos em formatos inusitados. A fama de Buddy é tanta que, quando ele apareceu publicamente em São Paulo no ano passado, no shopping Ibirapuera, o trânsito em volta do evento ficou travado por horas.

Além de gravar o reality no Brasil, o chef também está aproveitando a viagem para negociar a abertura de uma filial de sua confeitaria em São Paulo, a Carlo’s Bakery, que hoje fica em Nova Jérsei, nos Estados Unidos.

Buddy Valastro

*

Leia abaixo a entrevista exclusiva do confeiteiro ao “F5”.

F5 – Alguns jurados em reality shows são criticados por ter um comportamento agressivo com os participantes. Você tem um perfil diferente e chama atenção por isso. O que você acha dessas críticas?

Buddy Valastro – Só posso falar por mim mesmo. Às vezes sou agressivo ou posso parecer malvado com os participantes, mas acho que faço tudo por amor. Faço isso porque quero que eles sejam confeiteiros melhores. Crio situações difíceis porque a vida não é fácil, é estressante. Em outros programas é diferente, porque no meu eu estou procurando alguém para trabalhar no meu negócio, então preciso saber que a pessoa tem a habilidade de lidar com coisas que podem dar errado.

O bolo pode tombar. Então se eu derrubo o bolo de alguém, não é para ser hostil, é para mostrar uma lição de vida. Eu prometo para cada confeiteiro em qualquer programa meu que ele vai sair de lá sendo um profissional melhor. É por isso que às vezes crio alguns desafios extremos, mas é só para trazer o melhor trabalho de cada um. Quando os participantes caem, não há nada que eu amo mais do que ver eles se levantarem e ganharem de volta a confiança, a força e o traquejo. Se alguns jurados provavelmente se divertem sendo malvados e magoando as pessoas? Sim. Mas esse não sou eu.

Fazer confeitaria é mais difícil do que cozinhar em geral?

Vou me complicar com os outros cozinheiros (risos). Sim. Acho que confeitaria é mais difícil porque é uma ciência. Você não pode dizer “ah, vou colocar um pouquinho mais de fermento aqui”, como você faria com sal ou pimenta, se você gostar do prato mais salgado ou mais apimentado. Para fazer um bolo, um quilo é um quilo, não dá para ver no olho, tem que ter consistência. Então tem esse problema. Tem uma ciência na confeitaria que é difícil.

O açúcar refinado está sendo criticado pelo mundo atualmente por causar problemas de saúde. Temos como substituir o açúcar na confeitaria?

É o seguinte, nada faz bem hoje em dia. Eu tenho noção disso. Não estou aqui falando para as pessoas comerem 12 cupcakes por dia. Seja comendo carne vermelha, comendo cupcakes ou tomando vinho, você tem que fazer as coisas com moderação. Mas a verdade é que eu não quero morar em um lugar onde eu não possa comer um donut frito. Ou um cupcake. Não quero viver desse jeito, mas não estou falando “vá lá comprar donuts para comer todo dia de manhã”. Moderação na vida é importante.

Alguns cozinheiros estrangeiros acham que os doces no Brasil são doces demais. Você concorda?

Para o meu paladar são bons. Eu gosto de coisas muito doces ou só um pouco doces, mas não achei as sobremesas absurdamente doces. E tem outra coisa, o Brasil é um dos maiores produtores de açúcar do mundo. Tem açúcar aqui, claro que as coisas vão ser doces. Açúcar aqui é muito abundante.

Você já teve a oportunidade de experimentar muitos pratos diferentes brasileiros?

Meu problema no Brasil é que em todos os lugares que me levam, me dão comida e sempre é ótima. Já devo ter engordado uns três quilos, juro. Ainda não tive uma refeição ruim. Isso é incrível. Então a comida e a culinária têm sido ótimas. Não sei como pronunciar as coisas, mas tudo que eu comi é ótimo. Comi feijoada outro dia no almoço e gostei bastante. E hoje, de sobremesa, comi um “bolo de vó”, sabe? Bolo de cenoura com chocolate? Gostei muito.

O que é diferente em ser uma celebridade que trabalha com comida?

Acho que as pessoas olham para mim e ficam inspiradas pelo que eu faço, e querem fazer a mesma coisa. Quando você assiste um filme e vê um ator, você geralmente não pensa “cara, quero atuar”. Quando as pessoas assistem o Cake Boss, elas pensam “cara, quero fazer um bolo”. Então é um pouco diferente. Acho que eu inspiro as pessoas a cozinhar, a comer e se reunirem em família, e isso é muito legal.

No comercial da Record, você diz que foi para o Piauí. O que você foi fazer lá?

Não fui. Acho que eu falei errado ou entendi errado alguma coisa, porque li as coisas em português e não tinha muita noção do que eu estava falando Então é tipo eu falar “sim, fui pro Rio umas cinco vezes!”. Se você falar isso em português, não vou ter ideia do que você está falando.

Você se sente confortável com a cultura brasileira?

Sim, sempre que venho aqui me sinto muito bem-vindo, e os fãs têm sido ótimos. Então tenho muita motivação para vir aqui.





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Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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