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A seleção que se cuide

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Vista com os olhos de hoje, a seção dedicada à seleção brasileira na página oficial da Copa América 2015 na internet pode parecer apenas uma piada de mau gosto.

Sob o título “para recuperar o prestígio”, afirma-se que a “equipe canarinho quer esquecer tragédia na Copa do Mundo” e recuperar a admiração internacional perdida no “trágico desfecho” do torneio organizado pelo Brasil, em 2014.

O texto, no entanto, não é uma zombaria. Publicado em novembro passado, talvez traia a ilusão de que a humilhante derrota por 7 a 1 para a Alemanha, em pleno Mineirão, constituiu mero acaso histórico, uma fatalidade que nada disse sobre o estágio de evolução dessa paixão nacional.

Os dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol certamente pensam dessa forma. Do contrário não teriam, em resposta àquele vexame, nomeado Dunga para o cargo de técnico da seleção.

Não se trata de discutir a figura do treinador em particular, e sim aquilo que ela representa: um estilo carrancudo e pretensamente disciplinado, às vezes eficiente, por certo, mas sobretudo ultrapassado.

Para os cartolas, o fato de Dunga conhecer bem o ambiente do futebol brasileiro –antes de comandar a seleção na Copa da África do Sul, em 2010, havia participado de três Mundiais como jogador– representa uma vantagem.

Ledo engano. O Brasil precisa de novas perspectivas em seu futebol. Novos estilos, novas táticas, novas práticas administrativas. Em uma palavra: modernização.

A derrota para o Paraguai, nas quartas de final da Copa América, não foi um acaso, assim como não o tinha sido o 7 a 1. A seleção não só não recuperou seu prestígio como confirmou sua ruína.

E não só em campo. A cúpula da CBF, quem sabe preocupada com os desdobramentos das investigações sobre corrupção na Fifa, talvez não tenha notado, mas há de ser significativo que as quatro melhores equipes do torneio que se encerra hoje, no Chile, tenham treinadores argentinos.

Ao comentar o desempenho pífio do time que comanda, Dunga tentou se mostrar pragmático: “O que vale é eliminatória e Copa do Mundo”. De fato. E, infelizmente, o Brasil corre sério risco de, pela primeira vez em sua história, não se classificar para o Mundial.


editoriais@uol.com.br

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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