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'As Meninas do Quarto 28' traz relatos de sobreviventes de campo de concentração


11/07/2015

15h27


da Livraria da Folha

Quando o assunto é o Holocausto, a história de Anne Frank é uma das primeiras que vêm à mente. Porém, memórias sobre os horrores provocados pelos nazistas foram compartilhadas por diversas vítimas e sobreviventes.

Em “As Meninas do Quarto 28”, Hannelore Brenner reúne relatos de Helga, Flaka, Zajicek, Marta, Judith, Eva e Handa, sobreviventes do Quarto 28 do Abrigo para Meninas de Theresienstadt.

Durante a perseguição aos judeus, diversos prisioneiros passaram pelo campo de concentração Theresienstadt, uma cidade de faz-de-conta criada para desviar a atenção da imprensa e da Cruz Vermelha Internacional. Ali, naquele quarto, aproximadamente 60 crianças moraram, das quais somente 15 sobreviveram.

O livro, que traz histórias mescladas com fatos históricos e anotações do diário de Helga Pollak, desenhos infantis feitos durante aulas de desenho secretas e poesias escritas em álbuns de recordações, apresenta uma história feita de tristeza, amizade, compaixão e esperança.

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Abaixo, leia trecho de “As Meninas do Quarto 28”.

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Nós, as meninas sobreviventes do Quarto 28, do Abrigo de Meninas em Theresienstadt, estamos espalhadas por todo o mundo desde o final da guerra. Somente poucas mantiveram contato, nesses anos que seguiram ao Holocausto. Nem sabíamos onde muitas de nos moravam.

Passaram-se quase cinquenta anos, ate o nosso reencontro. Em outubro de 1991, a maioria de nos se reviu pela primeira vez após o termino da guerra, em Praga. Viemos de todos os cantos do mundo – Israel, América, Rússia, Inglaterra, Suécia, Alemanha, Áustria e Tchecoslováquia.

Foi um momento inesquecível. Na recepção de um hotel internacional rimos e choramos, dançamos e rodopiamos, e a alegria foi tanta que outras pessoas pararam e nos olharam estupefatas.

Ficamos surpresas com o que sentíamos em relação as outras. Eram os mesmos sentimentos que tínhamos quando crianças. Sentimo-nos novamente como uma só família, e nos entendíamos perfeitamente. Desde então, nos reunimos com frequência.

A alegria de nosso reencontro nos lembra de todas as meninas, cuidadoras, professoras, artistas e de todas aquelas que não sobreviveram. Sentimos uma necessidade imensa de arrancar do esquecimento aquelas meninas que nem mesmo tem um túmulo.

Esse foi o primeiro impulso para a origem deste livro.

Com a nossa contribuição, pretendemos fazer com que nunca mais ocorra algo semelhante ao que vivenciamos. Também gostaríamos que valores humanos, que foram tão importantes para nos e que ainda o são, permaneçam vivos: sentimentos de humanidade, educação e cultura, compaixão, coragem, civilidade e tolerância.

Em 1996, quando conhecemos Hannelore Brenner em Praga e nos tornamos suas aliadas, iniciamos nosso trabalho conjunto. Marcamos um encontro em Špindleruv Mlyn, nas Montanhas dos Gigantes, na Tchecoslováquia. Essa reunião deu inicio a esse livro, e tudo mais que aconteceu.

Anna Hanusová, Helga Pollak
Em nome das sobreviventes do Quarto 28

Špindleruv Mlyn

Desde o final da década de 1990, no outono, um grupo extraordinário de mulheres promove um encontro na pequena estancia Špindleruv Mlyn, nas Montanhas dos Gigantes, um lugar com ar puro e ótimas condições para o descanso. Durante alguns dias, a atmosfera desse lugarejo e preenchida pela alegria do reencontro, com cantorias e risos, mas também com as tristes lembranças da infância. Uma infância vivida ha mais de meio século. As mulheres têm mais de 70 anos de idade e vem de todas as partes do mundo – Israel, Inglaterra, EUA, Áustria e Republica Tcheca. Essas mulheres reúnem-se para passar alguns dias de ferias juntas e também para trabalhar em um projeto de memorias. Desde que começaram, em 1998, essas reuniões desenvolveram uma forca radiante espetacular e o numero de participantes aumentou a cada ano. E, na hora de dizer adeus, cresce a esperança de um reencontro no próximo ano.

Para as amigas, os dias passados em Špindleruv Mlyn são o ponto alto do ano. E não somente porque esse vilarejo junto ao rio Elba fica em uma região montanhosa encantadora, com seus efeitos revitalizadores sobre o corpo e a mente. Esses dias são especiais não porque se sentem mais jovens quando estão juntas, passeando por uma trilha na floresta, ao longo de um riacho caudaloso em direção ao rio Elba, ou quando fazem pequenas excursões subindo a montanha Medvedin ou em direção a Schneekoppe, junto a fronteira polonesa. Essas mulheres simplesmente sentem-se bem quando estão juntas. E qualquer pessoa sensível que se aproximar sentira isso intensamente e talvez se pergunte sobre esse laco invisível que as une. Afinal, que laco e esse? As próprias mulheres responderiam: Sentimos como se fossemos irmãs, como uma família. Ficamos felizes sempre que nos vemos”.

As meninas do Quarto 28

Essas mulheres estão unidas por um destino especial. Ha mais de meio século, entre os anos de 1942 e 1944, essas mulheres, então com 12 a 14 anos de idade, moraram juntas durante dois anos no Quarto 28, no Abrigo para Meninas L 410, em Theresienstadt.

Elas eram prisioneiras do “gueto”, entre as 75.666 pessoas provenientes do assim chamado “Protetorado da Boemia e Moravia”. Pessoas que, apos a invasão da sua terra natal pelas tropas alemãs, foram estigmatizadas como “judeus”, perseguidas, roubadas, destituídas e, finalmente, deportadas para o campo de concentração de Theresienstadt. La, no Abrigo para Meninas, seus caminhos se cruzaram.

Moravam juntas em um espaço exíguo, dia e noite, compartilhando 30 m² com cerca de trinta crianças. Dormiam em beliches ou treliches estreitos, comiam escassos alimentos racionados e, a noite, ouviam historias lidas em voz alta por uma supervisora. E quando as luzes eram apagadas, conversavam entre si, contando suas experiências, pensamentos, preocupações e medos.

[…]

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AS MENINAS DO QUARTO 28
AUTOR Hannelore Brenner
EDITORA LeYa
QUANTO R$ 29,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.


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Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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