Últimas

Bolsa não sustenta alta após pesquisa sobre governo e fecha no vermelho

Publicidade

Depois de ter subido até 0,77% durante o dia, com o mercado repercutindo positivamente a queda no nível de aprovação do governo Dilma Rousseff (PT), o principal índice da Bolsa brasileira perdeu força e fechou esta terça-feira (21) em baixa pela terceira sessão consecutiva.

O Ibovespa teve desvalorização de 0,24%, para 51.474 pontos. O volume financeiro foi de R$ 4,932 bilhões –abaixo da média diária do ano, de R$ 6,738 bilhões, segundo dados da BM&FBovespa. No mês, a média diária é de R$ 5,337 bilhões.

“Os bancos perderam força e caíram, empurrando a Bolsa para baixo”, disse Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora. Este é o setor com maior peso dentro do Ibovespa. Segundo Figueredo, a baixa do segmento reflete a expectativa pela reunião de política monetária do Banco Central, na próxima semana.

O diretor de assuntos internacionais do BC, Tony Volpon, afirmou nesta sessão que atingir a meta de inflação de 4,5% ao final de 2016 é factível e desejável e que o sucesso dessa abordagem já encontra reflexo na redução de expectativas para o comportamento dos preços.

“A fala fez reduziu algumas expectativas para a próxima reunião do Copom de uma alta de 0,5 ponto percentual da Selic [juro básico] para um aumento de 0,25 ponto percentual da taxa, o que pode ter pesado sobre os papéis dos bancos na Bolsa”, afirmou Figueredo. Atualmente o juro está em 13,75% ao ano.

O Itaú viu suas ações caírem 0,84%, para R$ 30,74, enquanto o papel preferencial do Bradesco, mais negociado e sem direito a voto, perdeu 0,89%, a R$ 27,95.

A alta do Ibovespa mais cedo refletiu a queda na avaliação positiva do governo para 7,7%, segundo pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça, enquanto 70,9% avaliam negativamente a gestão de Dilma. No levantamento anterior, realizado em março, 10,8% consideravam o governo ótimo ou bom, enquanto 64,8% tinham avaliação ruim ou péssima.

De acordo com o novo levantamento, 20,5% consideram o governo regular, contra 23,6% em março. A aprovação pessoal da presidente variou de 18,9% para 15,3% no período. O índice de desaprovação é de 79,9% em julho ante 77,7% em março.

Na pesquisa encomendada pela Confederação Nacional do Transporte, o instituto MDA ouviu 2.002 pessoas entre os dias 12 e 16 de julho. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

“Há uma certa divisão. Tem um grupo que acha que é importante deixar [a Dilma] ‘sangrando’ para o PT chegar nas próximas eleições bem enfraquecido. Outro grupo apoia o impeachment”, disse Julio Hegedus, economista-chefe da Lopes Filho. “Por isso, esses dados negativos para o governo acabam tendo impacto positivo na Bolsa.”

Ari Santos, gerente de mesa Bovespa da H.Commcor, disse que a reação lembra os momentos das pesquisas de intenção de voto à Presidência, no ano passado. Ele alerta, no entanto, que o mercado está muito volátil e que é difícil apostar na continuidade da alta do Ibovespa.

O fôlego da Bolsa brasileira também foi limitado pela cautela com a situação da Grécia na zona do euro, embora as negociações com os credores tenham avançado alguns passos. Os principais índices de ações do continente europeu fecharam em queda nesta sessão.

As ações preferenciais da Petrobras, mais negociadas e sem direito a voto, tiveram desvalorização de 0,19%, para R$ 10,77. Já as ordinárias, com direito a voto, cederam 0,08%, a R$ 11,85. Ambos os ativos chegaram a ter alta de mais de 1% durante o pregão.

Em sentido oposto, o papel preferencial da Vale subiu 1,46%, para R$ 14,63. Segundo a Guide Investimentos, uma revista de negócios chinesa, a Caxin, disse que o governo injetou US$ 109 bilhões em três bancos com influência nas políticas locais para tentar combater os sinais de enfraquecimento da economia. A China é o principal destino das exportações da mineradora brasileira.

CÂMBIO

No câmbio, o dólar caiu em relação ao real, se ajustando às altas recentes. O dólar à vista, referência no mercado financeiro, recuou 1,30%, para R$ 3,174 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, perdeu 0,87%, também para R$ 3,174.

Nesta terça-feira, o BC deu continuidade à rolagem dos swaps cambiais que vencem em agosto -operação que equivale a uma venda futura de dólares para estender o prazo de contratos. A oferta de 6 mil papéis foi totalmente vendida por US$ 294 milhões. Nos primeiros leilões deste mês, haviam sido ofertados até 7,1 mil swaps.

Mantendo a oferta de até 6 mil contratos por dia até o penúltimo dia útil do mês, o BC rolará o equivalente a US$ 6,396 bilhões ao todo, ou cerca de 60% do lote total. Se continuasse com as ofertas anteriores, a rolagem seria de 70%, como a do mês anterior.

Com agências de notícias

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *