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Classe A adere ao parcelamento das compras

A maior parte da clientela da empresária Juliana Santos, proprietária da Dona Santa/Santo Homem, é da classe A, mas as formas de pagamento da loja são bem flexíveis. Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A Press
A maior parte da clientela da empresária Juliana Santos, proprietária da Dona Santa/Santo Homem, é da classe A, mas as formas de pagamento da loja são bem flexíveis. Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

 

Especialistas em educação financeira são bastante claros quando o assunto é gastar dinheiro: o ideal é pagar as compras à vista, uma vez que o parcelamento no cartão de crédito ou cheque esconde armadilhas invisíveis, principalmente em relação às elevadas taxas de juros, que vêm batendo recordes negativos históricos. Mas parcelar compras já é um hábito do brasileiro. Agora, diante da atual crise econômica, onde o comércio amarga sucessivas quedas nas vendas, até mesmo os mais abastados têm recorrido ao pagamento em suaves prestações.

Isso não quer dizer que a classe A, aquela com maior poder de compra na pirâmide financeira, quebrou. Não se trata disso. Ao contrário, a estagnação econômica, sem previsão de melhora, ao menos diante das análises mensais do Banco Central (BC), está fazendo com que esta parcela da população mostre desconfiança e cautela na hora de gastar seu dinheiro. Normal, segundo especialistas financeiros, para quem essa fatia da população, hoje, também enfrenta os reflexos da instabilidade econômica.

Setor de vestuário, um dos mais lucrativos da economia, sempre operou com parcelamentos, mas a diferença hoje é a quantidade de parcelas. Foto: Helder Tavares/DP/D.A Press
Setor de vestuário, um dos mais lucrativos da economia, sempre operou com parcelamentos, mas a diferença hoje é a quantidade de parcelas. Foto: Helder Tavares/DP/D.A Press

“O parcelamento de compras pela classe A sempre existiu, não é de agora. A diferença é que antes desta fase atual, as compras eram divididas, em média, em três ou quatro parcelas, com exceção de datas especiais, para elevar os lucros. Não há crise de empobrecimento no mercado de luxo, mesmo agora no ‘olho do furacão’ da economia estagnada. Existe uma crise política e econômica, mas este segmento permanece firme”, explica Carlos Ferreirinha, economista, consultor financeiro e especialista em marcas premium.

Um exemplo que espelha este fenômeno é o setor de vestuário. Em Pernambuco, com a chegada recente de grifes internacionais, muitos consumidores têm esticado o parcelamento das compras. A empresária Juliana Santos, proprietária da loja multimarcas Dona Santa/Santo Homem, que oferece entre 40 e 60 marcas, parte delas internacionais, e cuja maior parcela de clientes é da classe A,  revela que a loja já chegou a parcelar o pagamento em até dez vezes, embora hoje esteja operando com o limite de cinco parcelas.

“Geralmente o brasileiro não pensa no valor da compra e, no caso das multimarcas, existe a possibilidade de não ficarmos presos a uma determinada produção. Neste momento de crise, um fator que ajuda é a redução no número de viagens ao exterior, já que o dólar está alto. Em vez de comprar fora, as pessoas compram aqui, mas não deixam de consumir”, pontua Juliana Santos. Na Dona Santa/Santo Homem, segundo ela, os parcelamentos superam as compras à vista.  “O público feminino, cerca de 70%, parcela mais as compras, pois consome mais. Já o masculino, 30%, prefere pagar à vista”, destaca.

Para tentar mostrar um pouco do quadro atual, no setor específico de vestuário, a reportagem do Diario pesquisou o número de parcelas que algumas lojas internacionais instaladas no Recife têm oferecidos aos clientes. Todas as lojas ouvidas funcionam no RioMar Shopping. Na Calvin Klein, que também possui clientes da classe B, segundo a gerência, o parcelamento atual é em cinco vezes, a mesma quantidade oferecida pela Prada (para compras mínimas de R$ 600, de acordo com a gerência). A exceção ficou com a Dolce & Gabbana, que no momento está dividindo as compras em até dez vezes, conforme gerência.

Vale ressaltar, segundo Carlos Ferreirinha, que este fenômeno financeiro não se estende apenas ao setor de vestuário, um dos mais lucrativos da economia. “Hotelaria, automóveis, viagens e até mesmo o imobiliário são outros segmentos que têm recorrido a parcelamentos mais extensos. Na medida em que a situação econômica for dando sinais de recuperação, o pessimismo vai passar”, opina Ferreirinha. “O ticket médio gasto na multimarcas permanece em R$ 1,5 mil, mesmo valor antes da atual crise. A tendência é usar a criatividade, evitando grandes estoques para diminuir os danos, mesmo com vendas mais baixas”, completa Juliana Santos.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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