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Com bebê no colo, campeã em 1999 vira técnica e leva ginástica ao penta

Camila Ferezin ganhou o primeiro dos cinco Jogos Pan-Americanos vencidos pelo Brasil na ginástica rítmica, em Winnipeg. Agora, venceu como treinadora em Toronto

 

Quando Camila Ferezin foi ao Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, em 1999, estava com um bebê de colo. João Lucas tinha cinco meses e deu sorte à mãe. A atleta saiu com uma medalha de ouro no conjunto ao lado da irmã Alessandra e das companheiras de seleção brasileira. Quis o destino que, 16 anos depois, voltasse ao Canadá para disputar outro Pan. E com outro neném. Dessa vez, contudo, a competição foi em Toronto, o “amuleto da sorte” é uma menina, a pequena Maria Clara, de quatro meses, e o pentacampeonato do conjunto brasileiro foi conquistado como treinadora.

– Acho que o Canadá e o Pan têm alguma coisa comigo, né? – brincou.

A história de Camila Ferezin está mesmo ligada ao Pan. Se em 1999 foi como atleta e em 2015 como treinadora, participou de, pelo menos, dois outros títulos. O único em que ficou fora foi no Rio de Janeiro, em 2007, quando atuou como comentarista. Em 2003, na edição de Santo Domingo, foi auxiliar da treinadora. Em 2011, em Guadalajara, seu primeiro como técnica, saiu com três ouros: conjunto por países, bolas e misto (com fitas e arcos).

Coreógrafa Bruna Martins, assistente da técnica Camila Ferezin ginástica rítmica Pan 2015 (Foto: GloboEsporte.com)Camila Ferezin, técnica da ginástica rítmica (Foto: GloboEsporte.com)

Camila sonhava engravidar novamente. Aconteceu em 2014, num ciclo no qual o Pan de Toronto estava no meio. Maria Clara nasceu no dia 13 de março, e a treinadora precisou sair de licença. Um mês depois, acabou voltando para “apagar o fogo”: meninas tinham saído, o time estava sem foco e sofria para treinar sem sua figura de referência. Ela resolveu repaginar a seleção. Manteve apenas uma ginasta no grupo, Beatriz Pomini, fez uma seleção em clubes e buscou ginastas “com brilho nos olhos”. Com um novo time, teve de se adaptar à nova rotina de ser mãe e técnica ao mesmo tempo. Foi medalha de ouro nesse quesito.

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– Conjunto é muito difícil. Elas me tinham como referência. Quando saí, a gente se perdeu. Quando voltei, encontrei tudo de cabeça para baixo. Pensei: “Meu Deus, não vai dar para ganhar a medalha (no Pan)”. Ano passado já tínhamos perdido para os EUA no Mundial, mas peguei o time e repaginei. 2015 foi de superação. Estava amamentando a Maria Clara e tive que retornar. Fiz um quartinho dentro do ginásio, pus um berço ao lado da máquina de gelo e um ar condicionado, porque em Aracaju (onde elas moram e treinam) é muito quente, e mandei ver. Matamos essas meninas de treinar. E a Maria Clara vai ser ginasta por livre e espontânea pressão – brincou.

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Brasil é pentacampeão pan-americano na ginástica rítmica (Foto: Ricardo Bufolin/CBG)Brasil é pentacampeão pan-americano na ginástica rítmica (Foto: Ricardo Bufolin/CBG)

Fiel escudeira de Camila, a coreógrafa e auxiliar Bruna Martins lembra da dificuldade. Ela até precisou se revezar com a treinadora na hora de cuidar da pequena Maria Clara. Feliz com o resultado das meninas no conjunto, destacou a força da comandante e lembrou que, além da desistência de algumas ginastas, uma técnica que chegou para render Camila em sua licença acabou pedindo para sair.

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– As meninas passaram por um momento punk. Precisamos ampliar o período de treinos para ajustar a série: treinamos muito, abdicamos de horas de descanso do treino tirando do almoço, do jantar… Passamos de 8 horas por dia para 11 horas, 12 horas diárias. Fizemos um esquema no ginásio para acomodar a Maria Clara, se revezando para cuidar dela: ela cuida, eu balanço um pouco o berço, ela dá de mamar, eu dou o treino, desse jeito, nessa loucura e, mediante todos esses fatos, tivemos que nos adaptar à nova fase da Camila e da seleção.

Equipe brasileira comemora a medalha de ouro no pan (Foto: John David Mercer-USA TODAY Sports)Equipe brasileira comemora a medalha de ouro no pan (Foto: John David Mercer-USA TODAY Sports)

Uma das comandadas de Camila, Emanuelle Lima, de 19 anos, se mostrou contente em ter alguém com tanta experiência como a treinadora passando dicas a todo o momento.

– Ela estava em Winnipeg. Passou toda a experiência que teve para nós e isso é muito importante. Ela foi para as Olimpíadas de Sydney, esteve no Pan da modalidade, é um presente ter uma técnica com essa bagagem excepcional. É maravilhoso.

Neste sábado, a seleção brasileira se apresentou com Dayane Amaral, Emanuelle Lima, Jessica Sayonara Maier, Beatriz Pomini e Ana Paula Ribeiro. Regina Morgana Gmach foi a suplente (ela esteve como titular na sexta). Foi com elas competindo que o país bateu Estados Unidos e Cuba para conquistar o ouro.

Ginástica rítmica brasileira penta conjunto Jogos Pan Americanos 2015 (Foto: Ricardo Bufolin/ CBG)Equipe brasileira exibe a medalha de ouro no Pan (Foto: Ricardo Bufolin/ CBG)

Neste domingo, a partir das 11h, acontecem as finais individuais do arco e da bola e, por grupo, na fita. Na segunda, no mesmo horário, são as decisões por atleta na maça e fita, e por equipe, no combinado entre maça e arco. Angélica Kvieczynski está nas finais individuais de todos os aparelhos. Natália Gaudio ficou fora apenas da disputa na bola.

Além do Pan, há o Mundial no fim de agosto, em Stuttgart, na Alemanha, onde a missão é terminar pelo menos entre as 10 primeiras. Depois, o foco é total nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. O Brasil já tem a vaga por ser país-sede, mas não terá vida fácil diante de potências da modalidade.

Entenda a ginástica rítmica

O site oficial do Pan de Toronto descreve a ginástica rítmica como “uma combinação de arte e esporte, e um dos dois esportes em que só mulheres competem nos Jogos”. O outro é o nado sincronizado. As competidoras fazem rotinas curtas acompanhadas por música em uma área de 13m x 13m. Durante as apresentações, os aparelhos precisam estar em constante ação. Ou seja, é preciso haver interação entre os quatro aparelhos (maças, fitas, arco e bola) e a atleta. 

Na sexta, pela disputa do individual geral, cada competidora se apresentou duas vezes, uma com o arco e outra com a bola. No sábado, 18, completando os aparelhos, primeiro maças, depois, fitas. As notas de todas as apresentações juntas fizeram um somatório que definiu a classificação final. Logo em seguida, foi a decisão da apresentação por equipes. Nesse caso, foram dois aparelhos: fitas e combinado de dois arcos e seis maças. Cada um foi apresentado em um dia, sexta e sábado e, da mesma forma, as notas foram somadas para definir o pódio.

 

 

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