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Com resultados e carisma, ginasta de 1,33m cativa torcida canadense e COB

Toronto – As aparições de Flavia Saraiva no Toronto Coliseum, palco da ginástica artística nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, seja para treinar ou competir, costumavam gerar uma pergunta imediata, principalmente dos voluntários que fiscalizam a área de imprensa: “Quantos anos ela tem?”.

Com 15 anos e apenas 1,33 metro, a carioca tem tamanho, rosto, voz e jeito de criança. Mas suas apresentações nos aparelhos têm sido marcantes: movimentos leves, sutis, ágeis e sempre com um sorriso no rosto. “Quando ela ri, todo mundo ri junto com ela. É um sorriso tão gosto, uma leveza tão gostosa, que leva as pessoas com ela”, derrete-se Daniele Hypolito, de 30 anos, a mais experiente ginasta que o Brasil levou a Toronto.

O público, que lotou o Coliseum nos cinco dias da modalidade, reagia com aplausos e suspiros, como na final da trave, nesta quarta-feira, quando a brasileira se desequilibrou três vezes e sofreu uma queda. Flavinha, como é chamada pelos integrantes da delegação brasileira, é puro carisma.


Flavia Saraiva conseguiu bronze na ginástica artística

Foto:  USA Today Sports

Carismática e competente. Em seu primeiro Pan, Flavia mostrou maturidade e saiu de Toronto com duas medalhas de bronze, no individual geral e por equipes. Não fosse um desequilíbrio na final do solo o terceiro pódio poderia ter vindo, em quatro provas. Embora já despertasse atenção desde o ano passado, quando foi três vezes ao pódio nos Jogos Olímpicos da Juventude de Nanquim, na China, a ginasta deixa Toronto como uma das meninas dos olhos do esporte nacional.

A postura dela foi de impressionar a todos, ela entrou com uma tranquilidade, com uma coisa tão gostosa. Ela se comportou maravilhosamente bem como atleta, como pessoas. Ela é uma joia que nosso país teve o prazer de ter”, atestou Daniele.

Perante ao COB (Comitê Olímpico Brasileiro), ela já mudou de patamar. Dirigentes da entidade estão impressionados com a capacidade e o poder de atração da pequena Flavia. Um deles a definiu como uma joia. Mas os cuidados para que a boa aceitação e os resultados positivos neste início de carreira não a pressionem já começaram, até porque elá é considerada uma peça fundamental no objetivo de alcançar no Mundial de Glasgow, em outubro, a classificação por equipes para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro – como país-sede, o Brasil tem garantida apenas uma vaga individual por gênero.


Flávia Saraiva conquistou a torcida canadense e o Cob com carisma e as duas medalhas conquistadas

Foto:  USA Today Sports

Qual é o segredo de tanta simpatia? Por que todos gostam de Flavia Saraiva? “Ah, não sei.” Nem arrisca um palpite? “Ah, não sei. Acho que elas gostam de mim porque… elas gostam.” Sentiu a pressão de disputar o primeiro Pan sendo tão jovem? “Não.” E esse jeito simpático, fofo, ajuda você na competição? “Ah, não sei. É meu jeito, sou assim.” Respostas simples, mas cativantes. Ela parece programada para sorrir.

O repertório da ginasta é maior competindo do que nas entrevistas, pelo menos por enquanto. Mas a ideia é fazer de Flavinha um “legado olímpico”, dar experiência para que ela lidere uma equipe em breve, e com resultados competitivos, até porque ela demonstra potencial em mais de um aparelho – trave e solo, no caso.

Do técnico Alexandre Cuia vem o maior cuidado em lapidar essa joia. O fim de cada apresentação em Toronto foi seguido de um abraço e algumas palavras de incentivo. Se ele a sente mais incomodada com um vacilo, sua resposta é lhe dar um beijo na testa, sinal de respeito por quem tem um futuro promissor.

Originalmente matéria publicada no Jornal O Dia (http://odia.ig.com.br)

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