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Criticado antes de nascer: a fragilidade do novo plano de resgate grego

Washington, 18 Jul 2015 (AFP) – O novo plano de resgate da Grécia ainda não foi concluído, mas já vem sendo criticado por atores-chave do acordo (Atenas, Berlim e o FMI), que duvidam de suas possibilidades de êxito.

Esse ceticismo imperante, que vai além do círculo de economistas, deve ser dissipado nas negociações sobre as modalidades do plano de ajuda que serão feitas depois do acordo fechado na última segunda-feira em Bruxelas.

– Grécia não acredita no plano -As maiores reservas procedem, como se espera, de Atenas. O acordo concluído na segunda-feira passada impõe ao país uma nova solução de austeridade e praticamente submete o país a uma tutela econômica.

Logo depois de acordo ter sido assinado, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, se referiu ao tratado como um texto em que ele mesmo não acredita, apesar de ter evitado a saída de país da zona do euro.

“Disse que estava em desacordo com muitos elementos do texto”, afirmou na quarta-feira ao parlamento.

O ministro grego da Economia, Euclide Tsakalotos, se manifestou na mesma linha diante dos legisladores: “Não sei se tomamos a decisão correta”.

O caminho parece longo até que as autoridades “se apropriem” do plano de reformas, como pretende a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

– Alemanha e a tentação do “Grexit” -Não é segredo para ninguém: Berlim, o maior credor da Grécia, pisou no freio antes de assinar o acordo, colocando sobre a a mesa o cenário de uma “Grexit” em cinco anos.

A chanceler alemã, Angela Merkel, defendeu o texto na sexta-feira no parlamento alemão, considerando que seria a única alternativa ao “caos”, embora suas condições sejam “duras para o povo da Grécia”.

Seu ministro da Economia, Wolfgang Schäuble, foi mais longe na quinta-feira, quando mencionou novamente a hipótese de uma “Grexit” temporária. “Não podemos, não queremos, mas talvez seja a melhor solução”, declarou.

“Muitos duzem isso, inclusive a própria Grécia”, concluiu, levantando dúvidas sobre a pertinência de outro resgate para o país, depois dos de 2010 e 2012

– FMI: “dívida insustentável” -Vinculado aos planos de ajuda, o FMI ameaçou abandonar os europeus, caso eles não reduzam a dívida grega, considerada “completamente insustentável”.

Questionada sobre a viabilidade do plano sem uma redução da dívida, Christine Lagarde foi direta: “A resposta é bastante categórica: não”.

Um alto funcionário do FMI que pediu anonimato avalia que o acordo com a Grécia não é “realmente concreto” e deixa muitas dúvidas.

Os especialistas parecem se somar às exigências do FMI sobre a dívida, mas as dúvidas do Fundo não se limitam a essa questão. Segundo o FMI, as metas orçamentárias previstas para a Grécia no acordo assinado na segunda-feira estão praticamente fora de seu alcance.

Supostamente Atenas deveria atingir e manter um excedente primário (fora a dívida) equivalente a 3,5% de seu Produto Interno Bruto.

“Poucos países têm conseguido. A anulação de reformas cruciais do setor público que já está em marcha (…) levanta dúvidas sobre a capacidade da Grécia de conseguir esse objetivo”, avaliou o Fundo em relatório publicado na terça-feira.

Outra instituição de Washington que reúne os bancos mais importantes do mundo, o Instituto Internacional de Finanças (IIF), afirmou que o acordo volta a cometer o mesmo erro de fazer prevalecer o corte orçamentário sobre a reativação da economia grega.

“O programa deveria dar mais atenção às medidas de apoio ao crescimento e não pretender somente atingir um superávit primário a qualquer preço”, afirmou a organização.

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Fonte: Bol.com.br

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