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De Olho na Política: Campanhas em ritmo da Lava Jato

Rio – Na irônica nota que divulgou para responder à reportagem da revista ‘Veja’, Romário vincula a denúncia ao fato de liderar a pesquisa de intenção de voto para a Prefeitura do Rio, na eleição de 2016. Exista ou não essa vinculação, quem duvida que a notícia será usada por adversários tanto nos debates quanto nos programas do horário eleitoral, em que um locutor de voz de filme de terror repete a acusação sob um trágico fundo musical? Romário apenas puxa a fila de candidatos que terão que explicar coisas desse tipo ao seu eleitorado.

Esse efeito Lava Jato tem dois lados. Diante dos níveis assustadores a que chegou a corrupção no meio político brasileiro, é mesmo necessário que seus integrantes prestem contas à população. E a campanha é um excelente momento para isso. Ali, poderão explicar contratos feitos pelo Executivo e Legislativo, dar mais transparência a gastos de candidatura e mostrar a evolução de bens. É a chance de tirar, enfim, a discussão sobre corrupção do âmbito generalista e trazê-la para a realidade e aplicando-a diretamente a cada candidato.

Há, no entanto, sérios riscos nesse tiroteio anticorrupção. O primeiro é fazer com que o eleitor dedique menos atenção à cobrança das plataformas do candidato para temas fundamentais como Saúde, Educação e Segurança. Seria trágico para o país que as campanhas se reduzissem a um mero concurso de quem rouba menos. Outro risco é óbvio: a constatação de que o acusado é inocente. Conclusões assim costumam ser tardias, surgem apenas depois que o estrago sobre a candidatura já foi feito e é irreversível.

É preciso, portanto, evitar o ‘honestismo’ (a honestidade apenas no discurso), marca da antiga UDN. Que nas próximas eleições a transparência seja apenas um ponto de partida. Para evoluir, o Brasil precisa de muito mais que isso.

POR TRÁS DA TRIBUNA

Candidato a governador pela primeira vez em 2014, Luiz Fernando Pezão votou em sua cidade, Barra do Piraí. A campanha tinha sido bastante estressante, pois muitos duvidavam que um seguidor político de Sérgio Cabral, tão desgastado após as manifestações de 2013, conseguisse vencer a corrida eleitoral. Atacado por todos os lados, Pezão colocava ali um ponto final na sua campanha do primeiro turno.

À saída da zona eleitoral, uma repórter perguntou ao candidato se ele seguiria imediatamente para o Rio, onde deveria acompanhar a apuração. Calmamente, ele respondeu: “Minha filha, eu agora vou para o bar, tomar cerveja e comer torresmo”.

Pouco tempo depois, Pezão foi visto cumprindo a promessa no famoso Bar do Torresmo, ao lado de dois amigos.

Originalmente matéria publicada no Jornal O Dia (http://odia.ig.com.br)

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