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Demanda de China e Rússia pode levar a reabertura de frigoríficos

A demanda da China e da Rússia pela carne bovina brasileira pode levar frigoríficos a reabrir fábricas no médio e longo prazos, prevê Vasco Picchi, doutor em medicina veterinária pela USP e consultor com mais de três décadas de experiência no segmento industrial. “Mas o momento atual ainda não indica isso. O que vemos são frigoríficos fechando, desemprego em massa e problemas de mercado para o pecuarista”, afirmou, em entrevista ao Broadcast Agro, serviço em tempo real da Agência Estado.

Autor do livro “História, ciência e tecnologia da carne bovina”, lançado na semana passada, Picchi diz que a recuperação do setor pode ser rápida, caso ocorra “a demanda que se espera da China e da Rússia”. “E aí acho que não será difícil esses estabelecimentos fechados serem postos em marcha novamente”, diz.

Dos mercados para os produtos brasileiros, Picchi considera que a China seja um dos que tenham maior potencial de expansão. Além disso, o especialista afirma que o crescimento econômico do país asiático resulta em aumento na renda de seus habitantes. Com isso, ocorre uma mudança nos hábitos de consumo que pode ser explorada pelo Brasil. “Há um movimento progressivo em andamento. Há alguns anos, a China comprava praticamente só subprodutos do boi, como os tendões. Dentre os cortes, o principal era o patinho, mais barato. Hoje, eles partiram para o contrafilé e cortes mais nobres. É uma mudança lenta, mas que deve continuar nos próximos anos”, afirma.

A Rússia figura entre os principais importadores da carne brasileira, mas passa por um ano difícil. A desvalorização do petróleo e as sanções internacionais afetaram a economia russa, que deve encolher 3% este ano, segundo o Banco Central daquele país. Em 2016, no entanto, a Rússia deve crescer 0,7%, conforme projeção do Banco Mundial. Se a melhora da economia se traduzir em avanço do consumo, os embarques brasileiros podem aumentar.

“A grande vantagem da Rússia é que eles consomem justamente parte da carne que chamamos ‘de primeira’, mas também a carne ‘de segunda'”, avalia o consultor, o que facilita a logística dos frigoríficos, que destinam, de maneira geral, carnes de primeira e de segunda para diferentes mercados.

Concentração

Picchi afirma que o fechamento de unidades de pequeno e médio portes no País é resultado de uma concentração no setor frigorífico. O consultor também critica o papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na criação das “campeãs nacionais”. “Houve uma criação de quase monopólios. Isso reduziu a competição entre abatedouros e encurralou pecuaristas, que ficaram sem muita margem para negociar os preços do boi”, afirma.

Este ano, a firmeza nos preços da arroba por causa da menor oferta também leva grandes frigoríficos a fechar, temporariamente, as portas de suas fábricas. No primeiro semestre, o indicador Cepea/Esalq do boi gordo caiu apenas 0,65% mesmo contando com o período da “safra” de animais. Com menos abates, JBS, Minerva e Marfrig já decretaram a suspensão de operações em algumas plantas para limitar sua capacidade ociosa.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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