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Em debate morno, brasileiro e russo falam sobre matemática e amor

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A mesa “Os Homens que Calculavam”, com o brasileiro Artur Avila, 36, e o russo radicado nos Estados Unidos Edward Frenkel, 47, ficou mais para “os homens que entediavam”. O debate, mediado pelo jornalista Bernardo Esteves, não empolgou o público na tarde deste sábado (4).

Avila, pesquisador na França, foi o primeiro brasileiro a vencer a medalha Fields, o Nobel da matemática. Frenkel é autor de “Amor e Matemática – O Coração da Realidade Escondida” (Casa da Palavra, R$ 44,90, 368 págs.) e professor na Universidade da Califórnia. Ele disse que prefere se referir a matemáticos como “homens que contam” e não “homens que calculam”.

Os dois falaram sobre o ensino de matemática nas escolas. Para Avila, muitos professores não gostam ou não entendem o que estão fazendo, o que prejudica o ensino. Frenkel comentou que o ensino não é atualizado. “As teorias que estudamos na escola têm mais de mil anos. Imagine a mesma situação em relação à ciência e à literatura.”

Zanone Fraissat/Folhapress
O matemático Artur Avila em Paraty, durante a Flip
O matemático Artur Avila em Paraty, durante a Flip

Comentaram também sobre o trabalho de pesquisa científica. Avila falou sobre o processo pelo qual passa para resolver problemas. “Jogar a cabeça na parede não é a solução”, disse, lembrando da ocasião em que demorou dois anos para fazer uma observação pequena que permitiu com que sua pesquisa fosse para frente. Também disse que costuma virar a noite trabalhando e que, uma vez, beber rum lhe ajudou a avançar em um trabalho.

Ele comentou o desafio proposto pela Folha de contar o número das pedras no centro histórico de Paraty (300 mil, segundo seu cálculo): disse que era como pedir para um poeta fazer cruzadinhas, arrancando aplausos do público.

O ponto alto da conversa foi a exibição do trailer de um curta codirigido por Frenkel, “Rites of Love and Math” (2010), em que ele aparece seminu. O russo explicou que fez o filme porque percebia que as pessoas não se empolgavam com matemática, então ele resolveu fazer um filme para chamar atenção ao tema. No trailer, ele aparece tatuando uma fórmula matemática na barriga de uma mulher.

Flip 4º dia

O mediador perguntou à dupla se achava que havia alguma explicação matemática para o amor. “Eu sou cético”, disse Avila. “A aplicação da matemática em temas biológicos é bem básica, estatística.”

“Amor e matemática são as duas coisas que estão por toda parte. E precisamos de ambas”, disse Frenkel.

“E a poesia?”, perguntou o mediador Bernardo Esteves.

“E a poesia!”, confirmou Frenkel.

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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