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Em 'Isla e o Final Feliz', romance se desenrola nas ruas de NY e nos telhados de Paris


13/07/2015

13h07


da Livraria da Folha

Tímida e romântica, Isla tem uma queda pelo introspectivo Josh desde quando estudaram juntos em uma escola parisiense. Porém, sua timidez nunca permitiu que ela trocasse mais do que uma ou duas palavras com ele.

Depois de um encontro inesperado em Nova York durante as férias, os dois se aproximam, e o sonho de Isla finalmente se torna realidade. Mas o tempo passa rápido, logo os dois irão se formar e muitos desafios aparecem para deixar tudo extremamente confuso e angustiante: dramas familiares, dúvidas sobre o futuro e a possibilidade cada vez maior de ambos seguirem caminhos opostos.

Escrito por Stephanie Perkins, “Isla e o Final Feliz” foi considerado pela Amazon um dos melhores livros de 2014 na categoria jovem-adulto. O livro apresenta participações de Anna, Étienne, Lola e Cricket, personagens que já apareceram em “Anna e o Beijo Francês”.

Stephanie Perkins foi livreira e bibliotecária antes de fazer sucesso como escritora. Autora best-seller do “The New York Times”, ela passa os dias escrevendo e tomando xícaras de café e chá. Mora com o marido na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, e é a idealizadora da coletânea de histórias natalinas “O Presente do Meu Grande Amor”.

Abaixo, leia um trecho de “Isla e o Final Feliz”.

*

É meia-noite, está abafado, e eu devo estar muito dopada por causa dos analgésicos, mas aquele cara – aquele cara bem ali – é ele.

O cara.

A postura dele é tão familiar quanto um sonho recorrente. Ombros prostrados para a frente, cabeça inclinada para a direita e nariz a dois centímetros da ponta da caneta. Está concentrado. Meu coração dispara, e fico tão eufórica que chega a doer. Ele está bem perto, a apenas duas mesas de distância, olhando em minha direção. A cafeteria está fervendo. No ar, o aroma agridoce do café se espalha. Três anos de desejo irrompem do meu corpo e saem pela minha boca para formar uma palavra:

– Josh!

Ele levanta a cabeça imediatamente. Por muito, muito tempo, apenas me encara. Depois pisca.

– Isla?

– Você se lembra do meu nome e sabe pronunciá-lo.

A maioria das pessoas me chama de “Is-la”, mas me chamo “Ai-la”, exatamente assim, “ai” de “aipo” e “la” de “lapiseira”. Abro um sorriso, mas no segundo seguinte me arrependo. Ai!

Josh olha ao redor como se estivesse procurando alguém e depois, devagar, pousa a caneta na mesa.

– Hum, é. Fizemos várias aulas juntos.

– Cinco aulas um ao lado do outro, doze aulas juntos no total.

Uma pausa.

– Certo – diz ele, apreensivo.

Outra pausa.

– Está tudo bem?

Um cara que parece uma versão jovem e cheia de piercings de Abraham Lincoln joga um cardápio plastificado em cima da minha mesa.

Não chego nem a olhar as opções e já peço:

– Alguma coisa pastosa, por favor.

Abe coça a barba, intrigado.

– Mas nada de sopa de tomate, mousse de chocolate nem gelatina. Só comi isso hoje.

– Ah. – A expressão de Abe se atenua. – Você está doente.

– Não – respondo.

Ele fecha a cara novamente.

– Ah, deixa pra lá.

E pega o cardápio de volta.

– É alérgica a alguma coisa? Só come alimentos kosher? É vegetariana?

– Hein?

– Vou ver o que tem na cozinha.

E, com isso, ele vai embora.

Volto a me concentrar em Josh, que continua me encarando. Ele olha para seu caderno de desenho, ergue a cabeça, olha para mim, depois volta a olhar para o caderno. É como se estivesse em dúvida se ainda estamos conversando. Abaixo a cabeça também. Começo a ter aquela sensação de que, se eu continuar falando, é provável que amanhã eu me arrependa amargamente.

Mas… é como se eu não conseguisse me conter – e não consigo mesmo, não quando estou perto dele -, então volto a erguer a cabeça. Sinto o sangue pulsando em minhas veias enquanto meus olhos o devoram. O nariz grande e bonito. Braços fortes, imponentes. A pele clara está ligeiramente bronzeada por conta do verão, e uma pequena parte da tatuagem preta fica à mostra logo abaixo da manga da camisa.

Joshua Wasserstein. Minha paixão por ele ultrapassa todos os limites.

Ele ergue a cabeça de novo, e sinto minhas bochechas corarem. É o problema de todos os ruivos, em qualquer lugar. Fico aliviada quando ele pigarreia e fala:

– Não é estranho que a gente nunca tenha se encontrado antes?

Eu aproveito a deixa:

– Você vem sempre aqui?

– Hum… – Ele tamborila a caneta na mesa. – Não, eu quis dizer aqui, em Nova York. Eu sabia que você morava aqui pelo Upper West Side, mas nunca nos cruzamos.

Sinto um aperto no peito. É claro que eu sabia várias coisas sobre ele, mas nunca imaginaria que ele soubesse coisas sobre mim. Estudamos juntos no mesmo colégio interno em Paris, mas passamos as férias em Manhattan. Todo mundo sabe que Josh mora aqui porque o pai dele é senador pelo estado de Nova York, mas não há nenhuma razão especial para alguém se lembrar de que eu moro aqui também.

– Não saio com muita frequência – admito. – Mas hoje estou morrendo de fome e não tem nada para comer em casa.

Então, sabe-se lá como, me jogo no banco vazio em frente a ele. Meu colar, que tem um pingente em forma de bússola, bate na mesa.

– Arranquei os sisos hoje de manhã e estou tomando um monte de remédios, mas continuo com dor, aí só posso comer coisas moles.

Josh esboça o primeiro sorriso.

Um sentimento de satisfação me invade. Tento sorrir o máximo que consigo, embora a dor dificulte bastante.

– Do que você está rindo? – pergunto.

– Analgésicos. Faz sentido agora.

– Ah, merda! – Bato o joelho na mesa. – Estou tão chapada assim?

Surpreso com a pergunta, ele ri. As pessoas sempre riem quando me ouvem dizer “merda”, porque não esperam que uma palavra dessas saia da boca de uma garota tão pequena, delicada e com uma voz tão baixinha, tão meiga.

– Achei mesmo que tinha alguma coisa diferente, só isso.

– Os efeitos colaterais incluem a terrível combinação de exaustão e insônia. E é por isso que estou aqui agora.

[…]

*

ISLA E O FINAL FELIZ
AUTOR Stephanie Perkins
EDITORA Intrínseca
QUANTO R$ 29,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.


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Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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