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Em livro, autor narra experiências de vida após a morte; leia trecho


19/07/2015

20h07


da Livraria da Folha

Em “Muitas Vidas, Muitos Mestres”, Brian Weiss conta como, usando técnicas de hipnose, testemunhou uma paciente entrar em contato com experiências de vida após a morte e narrar traumas sofridos em outras encarnações.

Formado pela Universidade de Columbia e pela Faculdade de Medicina de Yale e diretor do departamento de psiquiatria do Mount Sinai Medical Center, Weiss colocou em risco sua reputação e carreira ao reconhecer publicamente que usou a terapia de vidas passadas.

Abaixo, leia um trecho do livro.

*

INTRODUÇÃO

Sei que para tudo há uma razão. Talvez na hora não tenhamos o discernimento nem a percepção para compreendê-la, porém, com tempo e paciência, ela acaba por se revelar.

Assim foi com Catherine. Eu a vi pela primeira vez em 1980, quando ela estava com 27 anos. Ela veio ao meu consultório buscando ajuda por causa da ansiedade, das crises de pânico e fobias. Embora esses sintomas se manifestassem desde a infância, tinham piorado nos últimos tempos. A cada dia ela se sentia mais paralisada emocionalmente e menos capaz de agir. Estava apavorada e, compreensivelmente, deprimida.

Em contraste com o caos que estava sendo, na época, a vida de Catherine, a minha fluía suavemente. Eu tinha um casamento estável, dois filhos pequenos e uma carreira em ascensão.

Desde o início minha vida sempre pareceu dar certo. Cresci num lar cheio de amor. O sucesso acadêmico veio com facilidade e no segundo ano de faculdade tinha decidido ser psiquiatra.

Formei-me com louvor na Universidade de Columbia, em Nova York, em 1966. Em seguida, fui para a Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, onde me graduei médico em 1970. Após um estágio como residente no Centro Médico de Bellevue da Universidade de Nova York, voltei a Yale para completar minha residência em psiquiatria. Ao terminar, aceitei um cargo de professor na Universidade de Pittsburgh. Dois anos depois, ingressei no corpo docente da Universidade de Miami, chefiando a Divisão de Psicofarmacologia.

Lá alcancei reconhecimento nacional nas áreas de psiquiatria bioló gica e abuso de drogas. Depois de quatro anos, fui promovido a professor adjunto de psiquiatria da Faculdade de Medicina e nomeado chefe da psiquiatria num grande hospital filiado à universidade, em Miami. Naquela época, já publicara 37 ensaios científicos e capítulos de livros na área de psiquiatria.

Durante anos de estudo disciplinado, fui treinado para pensar como cientista e médico, amoldando-me aos estreitos caminhos do conservadorismo na minha profissão. Desconfiava de tudo que não se pudesse provar por métodos científicos tradicionais. Sabia dos estudos de parapsicologia que estavam sendo feitos nas principais universidades do país, mas eles não despertavam meu interesse. Pareciam- me muito artificiais.

Então encontrei Catherine. Durante 18 meses utilizei os métodos convencionais de terapia para ajudá-la a superar seus sintomas. Quando nada pareceu funcionar, tentei a hipnose. Numa série de transes hipnóticos, ela recordou-se de fatos ligados a suas “vidas passadas”, que se revelaram a causa do que estava sentindo. Ela pôde também atuar como canal de informação de “entidades espirituais” altamente desenvolvidas, revelando, por meio delas, vários mistérios da vida e da morte. Em apenas alguns meses, os sintomas desapareceram e ela retomou sua vida mais feliz e em paz do que nunca.

Nada em meu passado me preparara para aquilo. Fiquei totalmente surpreso quando tais coisas aconteceram.

Não tenho uma explicação científica para esses fatos. Há muitas coisas acerca da mente humana que se encontram além da nossa compreensão. Talvez, hipnotizada, Catherine tenha sido capaz de focalizar a parte de seu subconsciente que armazenou lembranças reais de vidas passadas, ou, quem sabe, ela tenha interceptado aquilo que o psicanalista Carl Jung denominou inconsciente coletivo, a fonte de energia que nos cerca e que contém a memória de toda a raça humana.

Os cientistas estão começando a procurar respostas para isso. Enquanto sociedade, temos muito a ganhar com as pesquisas sobre os mistérios da mente, da alma, da continuação da vida após a morte e da influência de vidas passadas no nosso comportamento atual. É óbvio que as ramificações são ilimitadas, principalmente nos campos da medicina, da psiquiatria, da teologia e da filosofia.

A pesquisa científica rigorosa nessa área, contudo, está engatinhando. Há alguns progressos nessas investigações, mas o processo é lento e esbarra na resistência de cientistas e leigos.

Em toda a História, a humanidade tem resistido às mudanças e à aceitação de novas ideias. A tradição histórica está repleta de exemplos. Quando Galileu descobriu as luas de Júpiter, os astrônomos da época se recusaram a aceitar – e até a olhar – esses satélites, porque a existência deles era incompatível com suas crenças. O mesmo acontece com psiquiatras e outros terapeutas que se recusam a examinar e avaliar o número considerável de provas acerca da sobrevivência, após a morte física, de lembranças de vidas passadas. Seus olhos permanecem firmemente cerrados.

Este livro é a minha pequena contribuição para as pesquisas que estão sendo feitas no campo da parapsicologia, sobretudo no ramo que trata de nossas experiências anteriores ao nascimento e após a morte. Tudo o que está aqui descrito é verdade. Não acrescentei nada, e suprimi apenas as repetições. Alterei ligeiramente a identidade de Catherine para garantir a confidencialidade.

Levei quatro anos para decidir escrever o que aconteceu, quatro anos para reunir coragem e assumir o risco profissional de revelar esses fatos nada ortodoxos.

De repente, uma noite, enquanto tomava banho, me senti compelido a colocar no papel a experiência. Tive uma forte sensação de que o momento chegara, de que eu não deveria mais guardar o que sabia. Devia dividir com os outros o que aprendi, e não manter em segredo. O conhecimento viera através de Catherine, agora cabia a mim transmiti-lo. Estava consciente de que nenhuma consequência que viesse a enfrentar seria tão arrasadora como a de não compartilhar o conhecimento que eu adquirira sobre a imortalidade e o verdadeiro sentido da vida.

Saí rapidamente do chuveiro e me sentei à mesa, com a pilha de fitas que gravara durante as sessões com Catherine. Nas primeiras horas da madrugada, pensei no meu velho avô húngaro, que morreu quando eu ainda era adolescente. Sempre que lhe dizia que estava com medo de me arriscar, ele carinhosamente me incentivava, repetindo sua expressão preferida: “Diacho, diacho!”

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MUITAS VIDAS, MUITOS MESTRES
AUTOR Brian Weiss
EDITORA Sextante
QUANTO R$ 19,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.


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Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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