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'Fogo amigo' americano mata 10 soldados afegãos

Pul-e Alam, Afganistán, 20 Jul 2015 (AFP) – Um bombardeio americano matou dez soldados afegãos nesta segunda-feira, em um controle militar ao sul de Cabul, em uma zona onde estão implantados os rebeldes talibãs, no mais recente incidente de “fogo amigo” por parte das forças de coalizão estrangeiras.

“Dois helicópteros americanos atacaram um posto de controle do exército afegão”, declarou à AFP Mohamad Rahim Amin, governador do distrito de Baraki Barak, na província de Loga, onde o bombardeio ocorreu.

“O posto de controle pegou fogo e ficou completamente destruído. Dez soldados afegãos morreram e outros quatro ficaram feridos”, acrescentou.

Em um primeiro momento, as autoridades haviam anunciado 14 vítimas.

O balanço de 10 mortos foi confirmado por um porta-voz do governo provincial, Din Mohamad Darvish.

Os rebeldes talibãs estão muito presentes no distrito de Baraki Barak, mas a zona na qual o incidente ocorreu “não era suspeita. A bandeira afegã ondeava no posto de controle quando os americanos lançaram o ataque”, acrescentou.

Por sua vez, o ministério afegão da Defesa indicou que “os insurgentes abriram fogo contra os helicópteros”, sem informar se havia sido este ataque o que motivou a resposta das forças americanas.

Interrogado pela AFP, um funcionário militar americano admitiu que estava ciente de que na manhã desta segunda-feira havia ocorrido “um incidente que envolve as forças americanas na província de Logar”.

“Está sendo investigado”, acrescentou este funcionário.

Aumentam os bombardeios aéreosNão é a primeira vez em que o “fogo amigo” provoca um incidente deste tipo: em dezembro outro ataque similar da Otan matou cinco civis e deixou outros seis feridos.

As mortes de civis e militares afegãos provocadas por ataques da Otan foram uma das maiores fontes de fricção entre o governo afegão e a coalizão internacional nos treze anos de conflito no país.

Os civis se convertem frequentemente em vítimas colaterais do fogo cruzado: quase mil morreram nos primeiros quatro meses do ano, segundo a missão da ONU no Afeganistão.

Mas as forças estrangeiras também sofreram em sua própria pele o fogo amigo: um bombardeio aéreo da Otan matou cinco soldados americanos e um afegão durante confrontos com os insurgentes.

O incidente teria sido evitado se as forças americanas tivessem se comunicado melhor, concluíram mais tarde investigadores militares.

O exército afegão também foi culpado por este tipo de erro em algumas ocasiões: em janeiro, as forças afegãs dispararam acidentalmente contra o local onde era realizada uma festa de casamento e mataram 17 mulheres e crianças na província de Helmand (sul).

A Otan concluiu sua missão de combate no Afeganistão em dezembro de 2014, deixando Cabul sozinha em sua luta contra os talibãs.

A Aliança, no entanto, manteve uma força residual de 12.500 soldados para treinar as forças afegãs e realizar operações de contraterrorismo.

Além disso, as forças da coalizão internacional no país continuam com os bombardeios aéreos, que passaram de 41 em maio a 106 em junho, segundo números das forças americanas.

Por sua vez, o Pentágono também tenta eliminar insurgentes ativos no leste do Afeganistão, na fronteira com o Paquistão.

Um drone americano matou no início do mês o chefe da organização Estado Islâmico (EI) no Afeganistão e no Paquistão, Hafez Said.

Paralelamente, autoridades afegãs se reuniram com chefes talibãs na semana passada em Murree, cidade turística ao norte da capital paquistanesa, em seu primeiro encontro cara a cara com o objetivo de iniciar negociações de paz.

Os delegados dos dois grupos decidiram se reunir novamente nas próximas semanas.

str-mam-ac/erf/aoc.

Fonte: Bol.com.br

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