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Frente al-Nosra quer trocar soldados reféns por detidos no Líbano

Beirute, 19 Jul 2015 (AFP) – O ramo da Al-Qaeda na Síria apelou às autoridades libanesas, durante uma entrevista na televisão, pela libertação de detidos em suas prisões em troca de três soldados capturados e feitos reféns há quase um ano.

A Frente al-Nosra mantém 16 soldados e policiais libaneses reféns desde 2 de agosto de 2014, quando foram sequestrados em uma cidade perto da fronteira com a Síria, enquanto outros nove estão nas mãos do grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

“Se cinco de nossas irmãs deixarem a prisão (…) daremos em troca três soldados”, declarou sábado à noite ao canal libanês privado MTV Abu Malek al-Shami, nome de guerra do “emir” da al-Nosra na região síria de Qalamun, na fronteira com o Líbano.

O combatente citou durante a entrevista os nomes de cinco prisioneiras, incluindo a ex-mulher do líder do EI, Abu Bakr al-Bagadadi, e a mulher de um dos líderes da al-Nosra.

A MTV conduziu a entrevista durante uma visita organizada pela al-Nosra para as famílias dos reféns, que são mantidos, segundo a emissora, em “uma caverna nas montanhas de Qalamun”.

A visita ocorreu sob a supervisão das autoridades. A emissora afirmou ainda que o Exército libanês havia concedido uma autorização às famílias para cruzar a fronteira com a Síria através de uma passagem ilegal.

Alguns parentes já haviam visitado seus filhos, mas é a primeira vez que as famílias vão em grupo ao local de detenção. Os reféns, todos com longas barbas, foram vistos em uma tenda e em aparente bom estado de saúde.

A MTV exibiu imagens comoventes do encontro entre pais, cônjuges e filhos com os reféns, durante o qual muitos não conseguiam segurar as lágrimas.

De acordo com Abu Malek al-Shami, as negociações com as autoridades libanesas “foram quase interrompidas” após o fracasso de uma mediação pelo Catar.

Desde a captura dos soldados e policiais, al-Nosra e EI mudaram suas reivindicações repetidamente, exigindo a libertação de islamitas detidos no Líbano e a retirada do Hezbollah xiita libanês do conflito na Síria.

Este poderoso partido armado, apoiado pelo Irã, é um dos principais inimigos dos rebeldes e jihadistas, pois combate ao lado do regime sírio de Bashar al-Assad.

Regime sírio liberta ativistasNeste contexto, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) comemorou a libertação de dois defensores da liberdade de imprensa pelo governo na Síria, por ocasião do fim do mês de jejum do Ramadã. A ONG pede a libertação de uma terceira pessoa.

Hussein Ghreir e Hani al-Zaitani fazem parte dos centenas de prisioneiros políticos acusados de “terrorismo” e libertados pelo regime esta semana.

Mas Mazen Darwish, defensor dos direitos Humanos e diretor do Centro Sírio para a Liberdade de Imprensa e de Expressão, continua detido, segundo a RSF, que exigiu sua libertação imediata.

“Ficamos muito felizes com a libertação inesperada de Ghreir e al-Zaitani, que foram injustamente detidos há mais de três anos”, declarou Christophe Deloire, secretário-geral da RSF.

“Apesar dessa onda de libertação, não devemos esquecer Mazen Darwish e todos os outros prisioneiros submetidos a abusos nas prisões do regime sírio”, acrescentou.

Fonte: Bol.com.br

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