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Garotinho, um pastor à beira de perder o comando de suas ovelhas

Rio – Corre à boca pequena uma frase entre os poderosos que serve para ajudar a entender que rumos vai tomar o ex-governador e atual secretário de governo de Campos Anthony Garotinho (PR): na política, quatro anos podem ser quatro décadas.


Em 13 anos, Garotinho foi da candidatura a presidente ao risco de perder o comando regional do PR

Foto:  Márcio Mercante / Agência O Dia

A comparação — indicativa de que o tempo pode acelerar carreiras para cima ou para baixo — é ponto de partida para responder uma pergunta: como, em 13 anos, um político vai do sonho de ser presidente da República ao isolamento em sua cidade natal, podendo perder o comando do partido no estado e assistindo à debandada de antigos aliados?

Hoje, no PR do Estado do Rio um grupo de parlamentares quer Garotinho fora do comando da legenda. A insatisfação, já antiga, atingiu o auge na sexta-feira passada, data do ultimado dado pela bancada federal para que a filha de Garotinho, Clarissa, deixe o partido.

Ela já não esconde mais que flerta com o PSDB, e sua saída, se concretizada, tornará a situação de Garotinho insustentável. Por isso, defendem que o terceiro colocado nas eleições para o governo do estado em 2014 deixe a presidência do PR imediatamente.

Os membros do grupo político do ex-governador não titubeiam e garantem: Garotinho não esperava ficar fora do segundo turno nas eleições estaduais de 2014. A derrota desencadeou uma sucessão de outros dissabores para o ex-governador.

Primeiro, viu Fernando Peregrino, aliado de longa data, sair da legenda ainda em dezembro do ano passado; na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), viu o amigo Geraldo Pudim tornar-se aliado de Jorge Picciani (PMDB), seu desafeto.

E os verá em Campos no ano que vem, pois Pudim será candidato peemedebista à prefeitura, embora garanta que não vai disparar contra o amigo. Além disso, teve que aturar as acusações de estar sempre protegendo e privilegiando a filha.

Se na Alerj Garotinho ainda é visto como liderança, o ex-governador é persona non grata em Brasília. A bancada do Rio reclama que não houve reuniões dos parlamentares com a direção de outubro ao começo da semana passada, ou seja, quase 10 meses sem contato formal. A avaliação é de que a falta de diálogo, somada à publicidade do desejo de Clarissa em ir para o PSDB, evidenciam problemas “insuperáveis” no comando de Garotinho na legenda.

Paulo Feijó é um dos fiéis na Câmara dos Deputados, e tenta contornar problemas. “Tenho cinco mandatos e tentarei apaziguar as relações. A situação não é boa”, admite. <CW-18>Garotinho não quis conversar com a reportagem.

Prestígio está abalado 
em Campos

Em Campos, a força de Garotinho está abalada, e o mais proeminente político da cidade periga não conseguir, no ano que vem, eleger seu candidato, para suceder Rosinha. O nome natural seria o de Geraldo Pudim, mas, com a ida dele para o PMDB, o grupo do ex-governador tem três opções: o deputado estadual Bruno Dauaire (PR); o líder do governo na Câmara dos Vereadores de Campos, Mauro Silva (PT do B); e Dr. Chicão (PP), vice de Rosinha.

Pesquisas encomendadas pelo governo avaliam que a aprovação de Rosinha não é das melhores e, em breve, o PP sairá do governo: o deputado estadual Papinha será candidato a prefeito.

E há um acordo entre PP e PMDB: quem ficar fora do segundo turno apoia o outro. Todos contra Garotinho.

PR enfrenta problemas ‘religiosos’

Somam-se aos problemas de Garotinho o distanciamento de setores evangélicos. Desde as eleições, ele não fala com o deputado federal Francisco Floriano (PR-RJ), ligado ao líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, Valdemiro Santiago.

Floriano, que não quis conversar sobre o assunto, teria usado sua influência para pregar abertamente contra de Garotinho. Na capital, os problemas do PR já começaram para as próximas eleições: o DIA obteve a cópia de representação contra Floriano protocolada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

A Justiça poderá abrir investigação contra ele por propaganda eleitoral antecipada e uso indevido da cota parlamentar, de R$ 35 mil mensais, para “despesas de gabinete”. O DIA publicou, em maio, que Floriano é o mais ‘gastão’ dos parlamentares fluminenses.

A denúncia se baseia no fato de que o deputado usou verba federal para imprimir cópias do ‘Estatuto do Idoso’, nas quais aparece ao lado de seu filho, Matheus, pré-candidato a vereador no Rio.

Originalmente matéria publicada no Jornal O Dia (http://odia.ig.com.br)

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