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Guerrilha curda põe fim a dois anos de cessar-fogo após ataque da Turquia

Istambul, 25 jul (EFE).- Após o ataque de caças da Turquia sobre posições da guerrilha curda no norte do Iraque, o Partido de Trabalhadores de Curdistão (PKK) pôs fim neste sábado ao cessar-fogo estabelecido há dois anos e muito debilitado nas últimas semanas.

“O ataque de guerra total do Estado turco aboliu as condições para manter de forma unilateral nosso cessar-fogo”, afirmou o PKK em comunicado distribuído hoje pela agência curda “Firat”.

“Contra futuros ataques nesta guerra total desenvolveremos uma resistência total, baseada no direito à defesa própria e com o histórico dever de proteger a liberdade e a democracia”, advertiu.

A guerrilha dos curdos da Turquia respondeu assim aos bombardeios de caças turcos na madrugada de sábado sobre os quartéis-gerais do PKK nos montes Kandil, no norte do Iraque, e contra diversos abrigos e armazéns da guerrilha na mesma região.

Os bombardeios causaram a morte de um membro da cúpula guerrilheira e feriram vários civis, afirmou o PKK.

É o segundo ataque aéreo da Turquia contra os refúgios do PKK desde que a guerrilha proclamou um cessar-fogo unilateral em março de 2013 e retirou grande parte de seus militantes do solo turco.

O primeiro aconteceu na noite de 30 de junho e, embora “significasse o fim do cessar-fogo”, a guerrilha decidiu mantê-lo, segundo a nota.

A operação contra as bases do PKK no norte do Iraque foi lançada pela Turquia simultaneamente ao bombardeio das posições dos jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) no norte da Síria.

“Demos instruções para uma terceira rodada de operações na Síria e uma segunda no Iraque. Estas operações continuarão pelo ar e pela terra. Ninguém deve duvidar de nossa firmeza”, anunciou hoje o primeiro-ministro turco interino, Ahmet Davutoglu.

O ministro das Relações Exteriores, Mevlüt Çavusoglu, prometeu a criação de uma faixa de segurança na região da qual pretende despejar o EI “para colocar nela os refugiados” da guerra na região.

A oposição na Turquia tinha denunciado a falta de resposta do governo aos movimentos do EI dentro de suas próprias fronteiras após o massacre de Suruç, quando 32 pessoas próximas à esquerda curda morreram em um ataque de um jihadista suicida.

Esse recente atentado desencadeou uma série de assassinatos seletivos, como o de dois policiais e de um civil com vínculos islamitas.

Estes assassinatos, mais outros dois não reivindicados e um tiroteio ocorrido na segunda-feira, elevaram para cinco o número de mortos que o primeiro-ministro atribuiu hoje ao PKK e que, disse, motivaram uma operação militar e policial de grande envergadura contra “todo tipo de organizações terroristas”.

Davutoglu incluiu nesta definição o PKK, o EI e facções marxistas como o DHKP-C, que assumiu atentados esporádicos contra a polícia nos últimos anos.

Um relatório distribuído hoje pela agência semipública “Anadolu” atribui ao PKK 1.083 “atos violentos” desde o início de 2015, entre eles 154 “ataques armados”, quatro tiroteios, 172 explosões, 19 sequestros e 352 “ataques com paus e pedras”.

Embora na operação policial em andamento dezenas de supostos jihadistas tenham sido detidos, a maior parte dos 590 detidos pertence a esquerda curda, o que o PKK denunciou como sendo “genocídio político”.

Hoje mesmo três policiais, além de um transeunte, foram baleados ao discursar no funeral de uma suposta militante marxista que morreu ontem em um tiroteio com a polícia depois de se opôs à revista de sua casa.

“Os próximos dias serão muito preocupantes para a sociedade turca”, advertiu o partido da esquerda pró-curda, o HDP, em comunicado que denunciou “detenções políticas” de seus filiados, a proibição de uma grande “manifestação pela paz” convocada para domingo em Istambul e as revistas policiais de organizações civis e sindicatos, assim como os bombardeios em Kandil.

O HDP acusou o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, de ter “criado um ambiente de violência” para abortar as negociações de um executivo de coalizão e forçar novas eleições, em que tentaria recuperar a maioria absoluta que seu partido, o islamita AKP, perdeu mês passado após 13 anos no poder.

Davutoglu, por outro lado, acusou o HDP de continuar vinculado ao PKK e desafiou o partido a escolher “entre a democracia e as armas”. EFE

iut/cd

Fonte: Bol.com.br

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