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Iêmen: rebeldes ignoram trégua e lançam ofensiva

Sana, 26 Jul 2015 (AFP) – Os rebeldes xiitas huthis bombardearam violentamente neste domingo uma localidade na província de Taez, no sul do Iêmen, pouco depois da entrada em vigor da trégua humanitária de cinco dias decretada pela coalizão liderada pela Arábia Saudita, informaram testemunhas.

Tanques das forças huthis realizaram disparos contra zonas residenciais de Jebel Sabr, revelaram as testemunhas.

Na capital Sanaa e no centro do país a trégua parecia ser respeitada, mas ao norte de Áden prosseguiam os disparos entre os rebeldes e as forças governamentais, que retomaram o controle desta grande cidade portuária do sul do país.

A coalizão havia realizado seus últimos bombardeios contra posições dos rebeldes ao norte de Áden quinze minutos antes do início da trégua, às 21H00 GMT (18H00 Brasília) deste domingo, segundo a população local.

A coalizão árabe decretou no sábado uma trégua unilateral de cinco dias em seus ataques contra os rebeldes iemenitas para permitir o acesso à ajuda humanitária, mas advertiu que reagiria a qualquer “atividade ou movimento militar” dos rebeldes huthis durante o cessar-fogo.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu aos huthis e a seus aliados que “respeitem e mantenham a trégua humanitária pelo bem de todos os iemenitas”, e solicitou a todos os beligerantes que “atuem de boa fé”.

As forças governamentais reforçaram seu controle sobre Áden horas antes da entrada em vigor da trégua.

O cessar-fogo de cinco dias visa permitir que os civis recebam uma ajuda humanitária necessária após quatro meses de conflito.

O porta-voz dos huthis, Mohamed Abdesalam, desmentiu neste domingo em sua conta do Facebook que o líder dos rebeldes, Abdel Malak al Huthi, tenha rejeitado a trégua, depois que um perfil do Twitter com seu nome afirmou que o chefe das milícias xiitas considerava que o cessar-fogo era uma forma da Arábia Saudita mobilizar seus combatentes.

A agência de notícias controlada pelos rebeldes informou que Al-Huthi disse que, devido ao fato de o grupo não ter sido consultado pela ONU, não podia dar uma resposta negativa ou positiva sobre a trégua.

Em Riad, o enviado da ONU para o Iêmen, Ismail Uld Ahmed Cheikh, se reuniu com o presidente no exílio, Abd Rabo Mansur Hadi, que pediu aos huthis que respeitem a trégua, informou a agência estatal Saba.

A conversa abordou “a chegada de ajuda humanitária no âmbito da trégua”, segundo uma fonte da presidência iemenita, ressaltando que um cessar-fogo permanente no país “depende da aplicação da resolução 2216 do Conselho de Segurança da ONU”, que prevê a retirada dos rebeldes das cidades conquistadas.

Os huthis, membros da minoria zaidita (um braço do xiismo), conquistaram extensas faixas de território desde julho de 2014, incluindo a capital, Sanaa, com a ajuda de militares leais ao ex-presidente Ali Abdullah Saleh.

Seu avanço em direção ao sul do país obrigou o presidente Hadi a se exilar na Arábia Saudita, que lançou uma campanha militar em 26 de março para frear os rebeldes xiitas.

Desde meados de julho, as forças pró-Hadi foram reconquistando Áden, permitindo a chegada da primeira ajuda humanitária ao porto e ao aeroporto da cidade.

Uma trégua anterior de cinco dias em meados de maio não impediu o retorno dos combates, e um cessar-fogo auspiciado pela ONU a partir de 10 de julho nunca chegou a entrar em vigor.

Quase 3.700 pessoas, a metade delas civis, morreram no Iêmen desde o início da campanha de bombardeios em março, segundo as Nações Unidas.

Ajuda humanitáriaUm barco do Programa Mundial de Alimentos (PMA) atracou no sábado no porto de Áden com 3.400 toneladas de suprimentos, segundo um de seus porta-vozes, Rim Nada.

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos também levaram ajuda humanitária ao Iêmen.

Um barco saudita, com 4.000 toneladas de produtos alimentares, chegou neste domingo ao porto de Muala em Áden, segundo um correspondente da AFP.

No entanto, as forças governamentais expulsaram os rebeldes ao norte de Áden e avançaram na província vizinha de Lahj, segundo fontes militares leais a Hadi.

Em Áden, reconquistaram os bairros de Basatin e Jaawala após violentos combates, que deixaram dezenas de mortos entre os rebeldes, indicaram partidários do presidente.

Sete combatentes pró-Hadi morreram nos confrontos e outros 29 ficaram feridos, informaram fontes médicas.

Os huthis bombardearam, por sua vez, zonas residenciais ao redor do bairro de Dar Saad, nas mãos das forças governamentais, deixando várias vítimas civis, segundo testemunhas.

O balanço das baixas civis chegou a 17 mortos e 121 feridos no sábado em Áden, segundo um responsável pelos serviços de saúde da localidade, Al Jadr Lasuer.

Na província de Dhaleh, mais ao norte, um porta-voz dos pró-Hadi, Naser Chuwaibi, afirmou que seus homens mataram quatro rebeldes em uma emboscada.

Fonte: Bol.com.br

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