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Matemático desvenda mistério da hexacosioihexecontahexafobia, ou medo do 666


16/07/2015

16h05


da Livraria da Folha

Para muitos, o número 666 possui um significado oculto porque é considerado o Número da Besta no Livro do Apocalipse, que diz: “Para que homem nenhum pudesse comprar ou vender, senão aquele que tivesse o sinal, ou o nome da besta, ou o número de seu nome. Aqui está a sabedoria. Que aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é o número de um homem, e seu número é seiscentos e sessenta e seis”.

Porém, tanto misticismo pode não ter fundamento algum. “Todas essas deduções podem estar baseadas num entendimento errado, porque agora tornou-se aparente que 666 pode ser um erro”, afirma o matemático Ian Stewart em “Os Mistérios Matemáticos do Professor Stewart”.

O que aconteceu é que, por volta do ano 200, o padre Irineu sabia que diversos manuscritos antigos afirmavam um número diferente, mas atribuiu o fato a erros dos escribas, declarando que 666 era encontrado em “todas as cópias mais antigas e aprovadas”.

Não foi bem assim. Em 2005, estudiosos da Universidade de Oxford usaram técnicas avançadas para ler trechos da versão mais antiga do Apocalipse que, antes, eram ilegíveis.

“Esse documento, que data de cerca do ano 300, é considerado a versão mais definitiva do texto. E dá o Número da Besta como 616”.

Como descobrir?

Stewart explica que geralmente o texto do Apocalipse se refere a um sistema numerológico conhecido como guemátria, em hebraico, e isopsefia, em grego, no qual as letras do alfabeto são associadas a números.

Vários sistemas são possíveis: numerar as letras do alfabeto consecutivamente ou numerá-las de 1 a 9, 10 a 90 e 100 e 900, ou onde quer que o processo acabe. A soma dos números associados às letras do nome de uma pessoa é o valor numérico desse nome. Ele explica que inúmeras tentativas foram feitas para deduzir quem era a Besta: elas incluem o anticristo, a Igreja católica romana e Ellen Gould White, fundadora dos Adventistas do Sétimo Dia.

Para exemplificar os cálculos, ele utiliza o nome de Hitler. Ao determinar que A = 100, consequentemente H = 107, I = 108, T = 119, L = 111, E = 104 e R = 117. A soma de tudo isso, naturalmente, é 666.

“Basicamente escolhe-se uma figura odiada, com base nas suas próprias concepções políticas ou religiosas. E aí você retorce a numeração, e se necessário o nome, de modo que se encaixem”, ironiza.

Em “Os Mistérios Matemáticos do Professor Stewart”, o matemático apresenta, com bom-humor e anedotas, mais de 120 problemas envolvendo lógica, progressões numéricas, números primos, análises combinatórias e fatoriais. Alguns dos enigmas são protagonizados por uma dupla peculiar: o detetive Hemlock Soames e seu fiel companheiro, o dr. John Watsup. O fato de eles serem vizinhos e rivais de Sherlock Holmes e dr. Watson e receberem os casos não solucionados da dupla criada por Arthur Conan Doyle não é mera coincidência.

Ian Stewart é um dos mais famosos matemáticos contemporâneos, aclamado por difundir a disciplina e torná-la acessível. Professor da Universidade de Warwick, assina os livros “Os Maiores Problemas Matemáticos de Todos os Tempos”, “17 Equações que Mudaram o Mundo” e “Em Busca do Infinito”.

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OS MISTÉRIOS MATEMÁTICOS DO PROFESSOR STEWART
AUTOR Ian Stewart
EDITORA Zahar
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Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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