MC Carol: 'Não sou diva, sou bandida'

Rio – Quando era criança, MC Carol queria ser advogada e, depois, virar juíza. “Ninguém sonha ser MC”, diz. Mas foi o funk que transformou a vida da autora do hit ‘Minha Vó Tá Maluca’. Com personalidade forte e carisma, ela agora faz sucesso no reality ‘Lucky Ladies’, da Fox Life, e está bombando nas redes sociais com fotos e comentários abusados. Mesmo tímida, a funkeira de 21 anos, que gosta de ser chamada de Carol Bandida, transborda autoestima, mas não se acha uma diva, como já é proclamada pelos fãs.

“Não sou diva. Sou bandida! Pra mim, diva é a Beyoncé, a Nicki Minaj, a Rihanna, a Madonna. Não dou força pra isso. Acho ridículo”, dispara ela, que gosta mesmo é de ser comparada a Tati Quebra-Barraco, sua mentora no reality. “Ela é como uma mãe pra mim. A gente tem o mesmo sobrenome (Lourenço), e a filha dela tem o meu nome e a minha idade.”


Sucesso com músicas como ‘Minha Vó Tá Maluca’ e no reality ‘Lucky Ladies’, MC Carol diz que sempre ‘se achou’ e que ninguém sonha ser funkeira

Foto:  Divulgação

Moradora do Morro do Preventório, em Niterói, Carol encontra inspiração para suas composições nas histórias de amigos, vizinhos e parentes. “Não faço música do nada. Quando não tem algo interessante na minha vida, foco na dos outros”, conta. Foi assim que surgiu a música para a avó e o funk ‘Jorginho Me Empresta a 12’, dedicada a uma amiga, cujo namorado a deixou em casa para ir ao baile com outra. “Falei para ela dar um tiro nele”, brinca. A mulher que queimava o lixo ao lado de sua casa inspirou ‘Minha Vizinha É Louca’. “Quando era solteira, eu fazia muita festa em casa até de manhã, e ela ficava louca”, diverte-se.

Na comunidade, Carolina de Oliveira Lourenço, seu nome de batismo, teve uma infância e adolescência sofridas, mas garante que nunca se envolveu em coisa errada. Com a mãe morando em local ignorado e o pai preso, ela foi criada pelos bisavós. “Fui expulsa de casa por um tio aos 14 anos. Pensei em ir pro Rio e morar na rua, pedir esmola, mas fiquei com medo dessas paradas que acontecem”, conta ela, que pediu abrigo na casa da avó. “Eram oito pessoas em dois cômodos. Os cinco adultos consumiam drogas. Mas, graças a Deus, nunca usei, nem tive curiosidade. Não sei se tenho pavor ou nojo, acho que os dois”, afirma.

Carol não bebe cerveja nem fuma. Mas o vinho é seu fraco. Após uma festa de Natal, já embriagada, foi chamada para cantar e esqueceu a letra. “Deu um branco, mas aí criei na hora a música ‘Bateu Uma Onda Forte’. A galera amou”, lembra. No reality da Fox, uma festinha regada a vinho deixou a funkeira mais soltinha a ponto de fazer um strip-tease e pagar calcinha. “Não tive vergonha, faria tudo de novo. Meu marido viu e deu um piti, mas tá tranquilo”, garante.

Casada há quatro anos com o ajudante de pedreiro Alecssandro, de 22, ela sabe administrar o ciúme do marido. “Agora ele está melhor. Mas falei: ‘Ou você anda do meu lado, ou vai ficar para trás’”, diz ela, que já tinha namorado o rapaz e o reencontrou na sarjeta. “Ele tinha problemas com drogas. Eu o internei, cuidei dele, levei pra casa. Por isso, ficou obsessivo por mim”, revela.

Em homenagem ao amado, ela compôs ‘Meu Namorado É Maior Otário’. “Ele lava minhas calcinhas, faz comida, me ajuda em tudo. Mas não o acho otário, ele é um exemplo. Os homens têm de ser menos machistas e dividir as tarefas”, defende.

No programa, deu o que falar sua revelação que faz sexo com Alecssandro nove vezes por dia. “Acham que são nove direto, mas não é, pelo amor de Deus! São três de manhã, três de tarde e três de noite. A gente briga, faz as pazes e depois transa”, detalha. Além de jurar que nunca pisou na bola com o amado, ela deixa claro que não perdoaria uma traição. “Se pegasse ele com outra, não sei se mataria ou mandaria matar. Não trabalho com o perdão, não”, decreta, aos risos, emendando: “Acho que procuraria um homem melhor que ele.”

A autoestima é tão elevada que a MC posta nas redes sociais mensagens do tipo “Sou gostosa, sou feliz, sou sexy” e fotos sensuais. “Nunca sofri preconceito por ser gordinha. Os homens que eu queria, eu tinha. Mas escolhia muito. Eu sempre me achei”, admite ela, que não sobe numa balança há tempos: “Estou pesando mais de 100 quilos, mas quero chegar aos 90.”

A convivência com as outras funkeiras do reality a deixou mais vaidosa. “Antes, não tinha preocupação com isso. Agora tenho parceria com uma marca de roupas plus size, aprendi a me maquiar e a cuidar do cabelo.”

Desde que estourou no reality, o número de shows aumentou e o cachê subiu. Se antes fazia baile por R$ 500, hoje cobra R$ 2.500 para cantar em casas da Lapa e R$ 4 mil na região oceânica. “Faço muito show em boate gay”, diz ela, que se apresenta na próxima sexta-feira na Fosfobox e na Fundição Progresso. Na época das vacas magras, Carol se contentava com bem menos. “Quando comecei, há cinco anos, fazia shows em troca do dinheiro da passagem de volta para casa e uma garrafa de vinho”, entrega.

Originalmente matéria publicada no Jornal O Dia (http://odia.ig.com.br)

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