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'O Ciclo da Vida' trata da velhice sem fantasias exóticas

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“Sensível” é um adjetivo tão desgastado que usá-lo para descrever um filme já deixa o público mais exigente com um pé atrás. Logo, recomenda-se a quem desenvolveu resistência ao “cinema sensível” abster-se de “O Ciclo da Vida”.

A produção chinesa conduzida com habilidade por Zhang Yang (revelado, em 1999, com “Banhos”) faz parte do gênero atualmente em profusão de filmes sobre a velhice. O público maduro manteve o hábito de ir ao cinema.

Direcionadas a esse nicho, surgiram de toda parte histórias com protagonistas da chamada terceira idade.

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Cena do filme chinês "O Ciclo da Vida".
Cena do filme chinês “O Ciclo da Vida”.

Os brasileiros “Copacabana” (2001) e “Chega de Saudade” (2008), o argentino “Elsa & Fred” (2005), refilmado nos EUA em 2014, os britânicos “O Exótico Hotel Marigold” 1 e 2 e o francês “E se Vivêssemos Todos Juntos?” (2011) são exemplos desses filmes capazes de atrair mais essa parcela do público do que as fatigantes aventuras de super-heróis.

Tal como a maioria dos títulos dessa popular série de longas, “O Ciclo da Vida” é um filme-coral, ou seja, concentra-se em um grupo e, assim, agrega diversidade de situações. O recurso dramatúrgico se justifica para demonstrar que a velhice não é uma coisa só, que a idade pode ocasionar múltiplas dificuldades e também oferecer outras experiências de alegria.

TRAPAÇA

O que distingue o longa chinês é a abordagem mais direta dos problemas. O próprio cenário, uma casa de repouso, evidencia a recusa do filme de fantasiar soluções como hotéis exóticos e comunidades idílicas. Os protagonistas mais jovens de “O Ciclo da Vida” estão na faixa dos 70 anos, e os mais maduros afirmam ter 90 e poucos –roubam um pouco dos números para dizer que ganharam outras coisas.

Para eles, trapacear a idade tem o sentido de afirmar uma vitalidade e uma força consideradas atributos exclusivos da juventude. Seus personagens não estão no fim da vida, mas no início de uma aventura em que embarcam para competir numa disputa de um “reality show” na TV.

Um está com câncer e quer viver algo inédito como ver o mar. Outro enfrenta a dor de um longo ressentimento do filho. Alguém precisa de cadeira de rodas para se mover. Uma senhora que não sofre de nada junta seu entusiasmo à vantagem de amar de novo. Só não embarca na trupe um senhor cuja demência já o libertou de qualquer controle.

Os filhos e a responsável pela clínica querem impor limites e regras, mas os idosos liberam-se por meio de ações rebeldes e trapaças, afirmam uma desobediência que num filme chinês não deixa de ser política. Mesmo que no final “O Ciclo da Vida” exceda o limite de sensibilidade e se torne ultrameloso, as múltiplas visões que ele projeta do envelhecimento podem fazer muito bem à saúde.

O CICLO DA VIDA (Fei yue lao ren yuan)
QUANDO: ESTREIA NESTA QUINTA (16)
ELENCO: HUANSHAN XU, TIAN-MING WU, BIN LI E BINGYAN YAN
PRODUÇÃO: CHINA, 2012, 10 ANOS
DIREÇÃO: ZHANG YANG

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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