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Perequê e a rama da mandioca

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Luis Perequê, 55, é um desses caras que usam bata branca e colar de cerâmica que ele mesmo montou. Enquanto Dilma estava saudando a mandioca, o legítimo “caiçara sapiens” já tecia loas a essa raiz na música “Encanto Caiçara”, dos versos “E quem pensar que o meu canto terminou aqui/ não viu que não falei da rama, a planta da mandioca”.

Não vi que você falou da rama, Perequê, porque até ontem, se alguém citasse seu nome, eu chutaria que era um genérico de biscoito Piraquê.

Nas cercanias de Paraty, há quem zombe do artista local escolhido para fazer o show de abertura da Flip. Em edições anteriores, a honra já coube a Gil, Gal, Bethânia, Paulinho da Viola, Edu Lobo e Luiz Melodia, mas neste ano a verba murchou, e “as vacas foram pro spa”, explicava a taróloga de gorro rastafári que tirava suas cartas por R$ 10 perto da praça da Matriz.

“Perequem?”, dizia um morador. “Ah, o B.O.”, esclarecia outro. “O Baixo Orçamento.”

Teve quem jurasse que o cão perdigueiro Boris Schneider, uma celebridade local com página no Facebook e hábito de perambular pelas ruas de pedra com gravata-borboleta, dava mais ibope. Perequê, que na meninice ajudava o pai a vender cachaça no lombo do burro, rebate tamanha cachorrada.

“Seria idiota negar que há uma questão econômica, mas toda crise tem uma moeda fantástica, que é a credibilidade. Estou aqui como sempre estive. As estrelas é que desta vez não vieram.”

Logo ele, “numa luta de muito tempo para inserir a cultura regional no mapa”, quase tombou para um mosquitinho. Que esta Flip (não) seja o fim da picada.

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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