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Em reunião do Comitê Executivo da Fifa, realizada nesta segunda-feira (20), o presidente da entidade, Joseph Blatter, definiu, enfim, a data da eleição que indicará seu sucessor: 26 de fevereiro.

O cartola anunciara sua renúncia em 2 de junho, depois da prisão de sete dirigentes da organização pela polícia suíça, em ação conduzida pelo FBI e pela Justiça dos EUA. Deflagrada no final de maio, durante o congresso que daria a Blatter mais um mandato, a iniciativa atingiu o ex-presidente da CBF José Maria Marin, que permanece detido perto de Zurique.

A operação, que ainda está em curso, tem por objetivo elucidar esquemas de propinas envolvendo a cúpula da Fifa e executivos ligados à comercialização de direitos de publicidade e à transmissão de competições da entidade. Investiga-se também a possibilidade de subornos na escolha de países para sediar Copas.

Numa atitude que soa como atestado de culpa, o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, que havia abandonado às pressas o congresso de maio, não compareceu ao evento desta segunda.

Não é razoável que o chefe da entidade responsável pelo futebol brasileiro, no intuito de proteger-se de denúncias de corrupção, se recuse a deixar o país para participar de reuniões relevantes da Fifa. De que autoridade pode gozar alguém com tal comportamento?

Blatter, diga-se, também tem utilizado o mesmo expediente. Embora não esteja livre de situações embaraçosas –como a do comediante inglês que o brindou com uma lufada de notas falsas de dólar diante da imprensa mundial–, ao menos ameniza as pressões ao abrir uma perspectiva de renovação.

Quanto a Del Nero, talvez na esperança de ainda usufruir das vantagens do cargo, resiste a seguir os passos do suíço.

Já passou da hora, contudo, a exemplo do que ocorre em outras esferas da vida nacional, de impor ao futebol um novo padrão de moralidade e compromisso público. A alegação de que a CBF é entidade privada não basta para autorizar desmandos e atitudes suspeitas, sem prestação de contas à sociedade e órgãos competentes.

Recentemente instaurada no Congresso, a CPI da CBF talvez possa dar valiosa contribuição nesse sentido –caso consiga driblar a tradicional e cerrada marcação da chamada bancada da bola.

editoriais@uol.com.br

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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