Últimas

Reis da Cova já estendem seus domínios à Baixada Fluminense

Rio – Os reis em busca de novos territórios. A consolidação do poder com administração dos 13 cemitérios públicos no Rio de Janeiro levou os empresários que dominam o mercado da morte a lançar ofensiva em buscar novas oportunidades de grandes negócios. E o caminho natural é a Baixada Fluminense, apontado como o segundo maior centro em potencial do Estado do Rio e onde moram 3,7 milhões de pessoas. A briga já começou: desde o começo do ano, os grupos Rio Pax e Reviver se articulam para abocanhar os dois dos principais municípios da Região — Duque de Caxias e Nova Iguaçu.

Apesar de o convênio não constar no contrato de concessão assinado com a Prefeitura de Duque de Caxias, basta uma ligação para a administração dos cemitérios e os atendentes se encarregam de passar a lista de serviços realizados pela Rio Pax. Parece até que a empresa de Monge é quem manda nos cemitérios. Alias, o processo de concessão que entregou, em 2011, os quatro cemitérios públicos da cidade à iniciativa privada, por 25 anos, também é polêmico. 


Mesquita é um dos alvos das empresas Riopax e Reviver na prestação de serviços funerários, já que não tem serviço bem regulamentado

Foto:  Ernesto Carriço / Agência O Dia

O apetite de Geraldo Magela Monge é por Duque de Caxias, município onde ele estabeleceu uma parceria com a empresa Agrere Obelisco Serviços Funerários para vender seus planos de assistência familiar. A empresa lucra com os enterros, mas a Agreye Obelisco não desembolsou nenhum centavo sequer em prol do município para a exploração do negócio.

O homem que já abocanha 30% dos sepultamentos e administra seis cemitérios públicos no Rio de Janeiro já colocou, inclusive, seus logotipo nos muros de acesso aos quatro cemitérios de Caxias (Tanque, Corte Oito, Taquara e Xerém) anunciando a prestação do serviço.

Duque de Caxias entrou na estratégia comercial de Geraldo Monge, quando assumiu o controle Floricultura Jardim dos Campos — localizada no bairro mais nobre da cidade, o 25 de Agosto. O nome era apenas um disfarce para esconder a funerária que estampava o plano Rio Pax de Assistência Funeral. O negócio foi o ponto de partida e ocorreu dois anos antes da Agreye Obelisco fechar a administração do cemitérios com a prefeitura da cidade.


Logomarca da Riopax, que administra seis cemitérios públicos no Rio, já figura em muro do Nossa Senhora das Graças, em Duque de Caxias

Foto:  João Antônio Barros / Agência O Dia

Os planos de expansão do Rei da Cova do Rio na Baixada Fluminense incluem adquirir a Funerária São Salvador — que há décadas detém o monopólio do serviço funerário em Nova Iguaçu. A empresa passa por um grave problema financeiro e acumula dívida gigante e considerada impagável. A ideia da Rio Pax é substituí-la na exclusividade do mercado, mas precisa da aprovação do Executivo.

Outro território ambicionado por Geraldo Monge, mas com a companhia de Renato Medrado Geo, da Reviver, é Mesquita. O município não tem um serviço bem regulamentado e no ano passado começou a rascunhar a intenção de conceder o trabalho à iniciativa privada. Em maio, uma comitiva com os dois empresários esteve na cidade para conversar com o prefeito Gelsinho Guerreiro. Um ruído na triangulação da conversa impediu o fechamento do negócio, mas a dupla não desistiu de administrar os enterros e as funerárias do município.

Em Belford Roxo faz enterros, mas figura como floricultura

Uma cidade onde o Rei da Cova já instalou a sua base de operação na região é Belford Roxo — a quarta mais populosa cidade da Baixada. Ele e a mulher, Shirley Alves Maciel Monge, são os donos desde 2007 da Funerária Sol Nascente, localizada no Centro do município, onde os planos de assistência funerária da Rio Pax dominam a publicidade. Não é a principal funerária da cidade, mas já começa a incomodar a concorrência por causa da forte influência política de Geraldo Monge.

Quem também olha de ‘rabo de olho’ para a expansão territorial de Geraldo Monge são os donos de funerárias de Niterói. Numa associação inédita, a Rio Pax atravessou a Ponte e se instalou no Cemitério Parque da Colina.

Com a dobradinha não só lançou as garras no município, como passou a oferecer um serviço até então restrito: a cremação, que é apontada como o nicho que mais cresce no mercado funerário brasileiro — com potencial de dobras nos próximos dois anos. Nos anúncios espalhados no Cemitério Parque da Colina, inclusive no acesso às capelas, a Rio Pax se apresenta como a única a realizar os serviços de cremação e de translados de corpos nacional e internacional. Sempre com atendimento 24 horas.

A ambição de Geraldo Monge também extrapola a região Metropolitana do Rio. Nas conversas reservadas, ele admite aos empresários do ramo que o município de Resende está na sua alça de mira para alcançar o Sul Fluminense. É o desejo de superar o padrinho nos negócios, o ex-provedor da Santa Casa de Misericórdia, Dahas Zarur, afastado após escândalos de venda ilegal de jazigos e imóveis.

Espera de até três dias para sepultamento

No caminho dos Reis da Cova mais uma história de monopólio. Não bastasse a cobrança de taxas de exumação (R$ 440) e as barreiras para frear os concorrentes com uma lista de espera que leva até três dias, a Rio Pax e a Reviver dificultam os enterros em gavetas nos dois maiores cemitérios do Rio para quem fura o esquema do cartel da morte. Para as funerárias fora do consórcio sobram apenas as covas rasas no São João Batista (Botafogo) e no São Francisco Xavier (Caju) .

A estratégia tem um sentido: como a ideia é valorizar os chamados planos de assistência funeral (que rende prestação mensal), as melhores localizações nos cemitérios chamados de nobres da cidade são destinadas aos clientes fidelizados. O benefício é um grande atrativo da hora da abordagem do cliente e fica consignado no fechamento dos contratos a exclusividade na localização.

As denúncias do monopólio, como as irregularidades nos contratos e nos consórcios vencedores da licitação pela administração dos cemitérios, serão encaminhadas hoje pelo deputado Dionísio Lins (PP) para a Prefeitura do Rio abrir investigação sobre o valor do contrato, quais os critérios adotados para a escolha da vencedora e quantas vagas efetivamente estão destinadas para sepultamento social.

Originalmente matéria publicada no Jornal O Dia (http://odia.ig.com.br)

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *