Shakespeare político e épico ganha versão de apenas dois atores

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Clássico político de William Shakespeare, o épico “Júlio César” ganha contornos minimalistas em “Caesar – Como Construir um Império”.

Adaptada e dirigida por Roberto Alvim (diretor da companhia Club Noir), a peça estreia nesta sexta (17) no Sesc Santo André, no ABC paulista –e a partir de 18 de setembro fará temporada no Centro Cultural São Paulo.

Lenise Pinheiro/Folhapress
Os atores Caco Ciocler (frente) e Carmo Dalla Vecchia em ação na peça "Caesar", versão de Shakespeare.
Os atores Caco Ciocler (frente) e Carmo Dalla Vecchia em ação na peça “Caesar”, versão de Shakespeare.

Alvim teve a ideia para o espetáculo nas eleições presidenciais do ano passado. “Vendo os debates, sobretudo quando se polarizaram entre Dilma e Aécio, eu me lembrei da peça, que mostra como os discursos são cambiáveis, e como um homem assume o discurso do outro dependendo do contexto”, diz.

Para ressaltar o aspecto de debate, o diretor criou uma versão com apenas dois atores: Caco Ciocler e Carmo Dalla Vecchia se revezam em todos os papéis da tragédia.

Dessa forma, alternam de forma sutil a voz para transitar entre os personagens e contar a história do imperador romano César, morto por um grupo de conspiradores temente de que a ambição levaria o governante à tirania.

Da rebelião, liderada por Brutus, amigo e protegido de César, assume o trono Marco Antônio, que depois se prova ele mesmo um tirano.

O espaço cênico se restringe a um quadrado 36 m², coberto por 20 mil moedas; ao centro, um púlpito vermelho; do teto, pendem réplicas de ossos: a ideia de que um império se constrói com dinheiro e morte, diz o encenador.

No fundo do palco, ao piano, o filósofo e colunista da Folha Vladimir Safatle executa a trilha sonora –composta pelo próprio. “Não é uma trilha musical, mas uma sismografia desse jogo político”, conta Safatle, em seu primeiro trabalho para teatro.

Assim, a música não apenas ajuda a criar o clima, mas também pontua os momentos de tensão e reflexão do texto, além de acompanhar as alterações de voz dos atores.

CONSTRUÇÃO

Ciocler, que faz sua quinta montagem com Alvim, conta que precisou se adaptar à construção musical. “Porque essa música não é um apoio para criarmos as nossas emoções. É uma construção na qual precisamos encaixar nossos gestos e nossas falas.”

“Às vezes parece que Roma é aqui, agora”, comenta Alvim. “Mata-se Júlio César, mas não existe um motivo específico, exceto o medo de que ele venha a se tornar um tirano. Quantas vezes não vimos acusações semelhantes [entre políticos brasileiros]?”

“A gente escuta a frase ‘até tu, Brutus’ e imagina que ele nunca foi um cara legal. Mas, fazendo o texto, vejo em mim quantas vezes troquei de discurso porque o entorno era diferente”, diz Dalla Vecchia.

“É interessante ver o jogo de afetos que a política envolve”, afirma o filósofo. “Porque a peça não é sobre a usurpação do poder, mas como ele é incorporado por outros.”

CAESAR – COMO CONSTRUIR UM IMPÉRIO
QUANDO sex., às 21h, sáb., às 20h, dom., às 19h; até 16/8 (não haverá sessão em 26/7)
ONDE Sesc Santo André, r. Tamarutaca, 302, tel. (11) 4469-1200
QUANTO R$ 9 a R$ 30
CLASSIFICAÇÃO 16 anos

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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