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Simone Viana: Respeito à diversidade

Rio – Para além da reflexão sobre as contribuições da população negra e indígena na construção da sociedade, cultura e economia, a Lei 10.639/2003 torna obrigatório o ensino de história da África e de cultura afro-brasileira, posteriormente modificada pela Lei 11.645/2008, que acrescentou as dos índios. É necessário compreendermos os grandes desafios, para que se efetue de fato na praticidade e no cotidiano de nossas relações étnico-raciais na sociedade.

Nesta perspectiva, a Lei é compreendida como a primeira mudança no sistema educacional brasileiro nos últimos 20 anos, promovendo a igualdade racial. Porém, educar para prevenir contra o racismo e a intolerância é uma ação conjunta de toda a sociedade. Muitas vezes são silenciados, e não banidos; precisamos, como cidadãos, professores e formadores de opinião, desconstruir estereótipos arraigados e desenvolver uma visão de mundo antirracista, a partir da conscientização e de atitudes, que possam eliminar todos os tipos de discriminações que ‘adoecem’ e ‘limitam’ nossas relações com o outro.

Os meios de comunicação divulgam e conscientizam que a construção e o exercício pleno da cidadania ainda são um falso discurso e que o acesso à Educação e à informação é o caminho mais eficaz no respeito à diversidade. Somos surpreendidos com casos de violência e intolerância. Precisamos ser solidários e críticos para não banalizarmos os fatos.

A intolerância religiosa e os preconceitos em relação ao candomblé e à umbanda, por exemplo, configuram um ataque de viés racista. Como cidadãos, devemos olhar para o lado e perceber que a diversidade prevalece e enriquece nossa cultura e nossas relações. Nos espaços escolares, familiares e sociais, temos a oportunidade de refletir, ensinar e propagar a cultura do outro com respeito, intervindo em nossos valores e atitudes cotidianas, possibilitando novos olhares, percepções e conhecimentos das diferenças presentes no nosso dia a dia.

Temos a oportunidade, então, de compartilhar uma melhor qualidade nas relações sociais e étnico-raciais. Este assunto não pode ser encarado como algo menor ou de interesse apenas de um grupo: ele diz respeito a todos nós, brasileiros. Façamos a nossa parte!

Simone Viana é professora e pesquisadora

Originalmente matéria publicada no Jornal O Dia (http://odia.ig.com.br)

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