'Vamos diminuir a produção', diz presidente global da Pirelli

Com quase 1.200 funcionários em lay-off, o presidente mundial da Pirelli, Marco Tronchetti Provera, diz que a companhia tem de rever seus planos no Brasil.

“Como toda a indústria no Brasil, temos de reexaminar a nossa estratégia no país. Vamos ter de diminuir o volume da produção”, afirma.

“Para breve, não vemos perspectivas positivas no país, basta olhar para os números da redução da produção de carros e caminhões. Uma parte do que fazemos suprimos com as exportações, mas outra parte, não”.

“Não nos lembramos de um lay-off nessa dimensão em 30 anos, mas é [a situação do] mercado”, acrescenta Paolo Dal Pino, presidente da companhia para América Latina.

Provera afirma que a empresa continuará no país “naturalmente, onde estamos há mais de 80 anos.”

No segmento industrial, que produz pneus para uso na agricultura, por exemplo, a queda na produção foi de mais de 10%.

“O mercado está muito negativo e não vemos recuperação. A área de carros de passeio foi um pouco melhor, conseguimos resistir. Esperamos não ter de cortar ainda outros 10%.”

A Pirelli tem cerca de 35% do mercado original das montadoras e cerca de um terço do de caminhões, para o qual o setor estima queda no final deste ano de quase 40%.

“Há um impacto direto, são números enormes. E no ano passado, também houve um recuo de cerca de 30%.
Pino afirma não prever por ora demissões.

“Esperamos que o mercado melhore. Se isso não ocorrer, há outros instrumentos, como férias coletivas. Não se pode ficar com a produção não alinhada ao mercado”, completa Provera, que não esclarece até quando a companhia pode esperar.

“Estamos sem causar traumas, para ganhar tempo para saber o que vai acontecer. Se o mercado não voltar, vamos ter de tomar mediadas mais drásticas, estamos reduzindo tudo.”

Para o empresário, não houve um projeto para o país que tenha permitido gerar crescimento e confiança. “É um momento em que não se consegue entender como o país sairá da crise”, diz.

“Já vimos tantos ciclos. É continuar, ter a capacidade de administrar a crise, fazer sacrifícios nos momentos difíceis, reduzir quando é necessário e estar pronto para crescer, quando possível.”

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O que estou lendo: Jorge Lopez, presidente da 3M no Brasil

O presidente da 3M no Brasil, Jorge Lopez, lê o livro “Designing for Growth” (Projetando para o Crescimento, em tradução literal), de Jeanne Liedtka e Tim Ogilvie.

“É um excelente livro como ferramenta para inovar, resolver problemas, extrair ideias por meio de pesquisas e criação com os clientes”, afirma o executivo.

“Para nós, é útil porque estamos trabalhando, na 3M Brasil, em um projeto que terá entrevistas com os contratantes dos nossos serviços e que, através da criação com eles, irá desenvolver processos para entregar a melhor experiência ao cliente”, diz.

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Alimento… A Glanbia Performance Nutrition, multinacional fabricante de produtos de nutrição esportiva, investirá cerca de R$ 10 milhões no mercado brasileiro. A companhia tem escritório próprio no país desde o fim de 2013.

…para atletas O grupo estuda uma aquisição ou instalação própria para produção de seus itens no Brasil. A empresa tem 1.600 funcionários no mundo e faturou € 698 milhões (aproximadamente R$ 2,5 bilhões) em 2014.

Pagamento… A multinacional norte-americana First Data, que atua no setor de meios de pagamentos, fechou uma parceria com a Rede Tendência, de captura de transações eletrônicas. O valor do negócio não foi informado.

…tecnológico O objetivo é levar o sistema eletrônico do grupo americano para 4.000 municípios. O produto, que recebeu investimento de R$ 350 milhões, processa débito, crédito, parcelamento e antecipação de recebíveis.

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Hora do café

com LUCIANA DYNIEWICZ, LEANDRO MARTINS e ISADORA SPADONI

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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