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Visita aos EUA beneficiou momento frágil de Dilma, dizem analistas

  • Carolyn Kaster/AP

A visita da presidente Dilma Rousseff ao chefe do Executivo americano, Barack Obama, nos últimos dias contribuiu para atenuar o desgaste gerado com a baixa popularidade da petista neste momento atual de fragilidade política.

Os principais rendimentos do encontro ao Brasil são de natureza econômica, uma vez que a agenda bilateral de Dilma com investidores dos Estados Unidos foi considerada bem-sucedida. A intenção de Obama em facilitar a entrada de brasileiros no país norte-americano é um exemplo. “O aceno positivo ao acordo Global Entry claramente atende uma parcela mais específica da população, que vem a ser os oposicionistas do governo da presidente, as classes mais altas. É um ponto que merece atenção”, destaca Dawisson Belém Lopes, professor do Departamento de Ciência Política da UFMG. Para ele, esse acordo, ainda que seja uma demanda mais específica de ordem consular, contribui para o resgate das “relações desgastadas entre os dois países”.

O especialista Lucas Leite, da Unesp e pesquisador visitante da Georgetown University em Washington, reitera o papel do Global Entry como um dos pontos mais positivos da visita e acrescenta outro valor. “A visita de Dilma Rousseff aos Estados Unidos teve um papel não apenas prático, de estabelecer acordos e entendimentos, mas também simbólico. Representou o estreitamento das relações entre dois países que têm um longo histórico de cooperação e que precisavam demonstrar terem superado o anterior episódio da espionagem norte-americana”, disse.

O episódio protagonizado pela Agência de Segurança Nacional (NSA) americana, em 2013, fez com que Obama figurasse como o “devedor” do encontro bilateral desta semana. “Não deixa de ser uma forma de compensar todo o mal-estar e desconfiança que havia com os EUA e de reconstruir as pontes com os americanos, uma vez que Obama entra como devedor nessa história”, avaliou Belém Lopes.

‘Potência global’

Ao definir o Brasil como uma “potência global”, e não “regional”, Obama enviou uma resposta ao mundo de efeito mais diplomático do que prático, consideram os acadêmicos. “Tradicionalmente, esse tipo de fala não tem muito impacto prático, não vai significar um apoio dos EUA para que o Brasil faça parte do Conselho de Segurança da ONU, por exemplo, ou qualquer outra concessão em fóruns de segurança e economia. Não é um aceno que possa ser traduzido no curto prazo. Eu diria que é mais uma maneira de gerar confiança na construção de uma relação interpessoal, de estender a mão a uma presidente fragilizada”, afirmou Belém Lopes.

O professor Feliciano de Sá Guimarães, da USP, reforça a interpretação de que a leitura de Obama sobre o Brasil deve ser vista com reserva. “Obama mostrou interesse em cativar as autoridades brasileiras, uma vez que a visão do Brasil em ascensão no cenário global é algo muito caro por aqui, independentemente do matiz político. Ao mesmo tempo, os EUA percebem o Brasil como uma potência regional com crescente influência em diversos palcos globais.”

China

Segundo Guimarães, há outros interesses por trás da simpatia norte-americana. “Provavelmente, há uma leitura em Washington de que, embora em crise, o Brasil continuará a ter mais influência. Há também um interesse dos EUA em não deixar o Brasil gravitar totalmente para a esfera de influência chinesa, e a visita de Dilma é uma oportunidade nesse sentido. Tratar o Brasil com importância, ajuda”, analisou.

O vice-presidente da Americas Society, Brian Winter, afirmou que os investidores presentes em reunião com a presidente saíram bem impressionados nesse momento de reabertura comercial. “A presidente estava relaxada, atenta aos comentários dos presentes, demonstrando uma posição amigável com o setor privado. Os EUA sabem, há uma década, que o Brasil é a sétima economia mundial.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Bol.com.br

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