Após notícias de Orçamento com deficit, dólar abre em alta ante o real

A BMF&Bovespa reflete o péssimo sentimento sobre a situação do Brasil nesta abertura de semana. Às 12h05 o dólar subia 1,79% cotado a R$ 3,647, depois de ter registrado R$ 3,68 no início da manhã. 

O pregão registrava queda de 3,05% aos 46.705 pontos.O principal motivo tanto para a alta da moeda norte-americana, quanto para a queda da Bolsa é a notícia da proposta de Orçamento que será enviada pelo governo hoje ao Congresso, com previsão de um rombo de R$ 30 bilhões nas contas do próximo ano. O déficit primário ficaria então de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) contra os 0,7% anunciado no final de julho.

Essa decisão foi tomada após o governo abandonar a ideia de recriar a CPMF, por não encontrar respaldo para o projeto nem no Congresso nem entre empresários.

Ainda não está definido o horário que o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, entregará a proposta ao Congresso. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, estará em São Paulo nesta tarde. Até as entrega do documento, a tendência é a volatilidade do mercado continuar intensa. 

A apreensão do mercado em relação à perda do grau de investimento se justifica. Segundo especialistas é apenas uma questão de tempo, uma vez que a economia já está em recessão, sem perspectivas de melhora em 2016.

O dólar sofre ainda um outro componente de pressão nesta segunda-feira: o Banco Central anunciará, depois das 13h10, a última Ptax de agosto, que servirá de parâmetro para os contratos de derivativos de câmbio..

Grau de investimento

Com essa forte alta do dólar e a queda na bolsa logo pela manhã, o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, avalia que o mercado está operando com a perspectiva de perda de grau de investimento. “De fato, há bons motivos para se acreditar nisso, mas não necessariamente pelos motivos geralmente apontados. Os gestores viram no orçamento do ano que vem que deve vir com um déficit de R$ 30 bilhões a senha para o fim da responsabilidade fiscal”, afirmou.

Na avaliação do economista, o país vai perder o grau de investimento, não por conta dos resultados fiscais negativos, mas “por conta da dinâmica dos juros nominais a serem pagos que estão subindo na esteira da Selic (taxa básica da economia) em alta e dos swaps cambiais”. “Só nesse primeiro semestre foram R$ 280 bilhões em juros e de swap uma bobagem de R$ 66 bilhões. Para colocar em escala os estádios da Copa do Mundo custaram R$ 30 bilhões segundo algumas estimativas”, destacou.

De acordo com o economista, “não há superávit primário no mundo que dê conta de diminuir o estoque da dívida numa situação que nem essa”. ‘E o pior que se formos rebaixados este montante pode explodir e mesmo assim vamos continuar pagando sem atraso. A elevação dos juros pagos vão decantar na dívida pública fazendo que esta atinja rapidamente o patamar de 70% do PIB em termos brutos e assim rompendo os critérios de segurança das agências”, emendou. Perfeito aposta que, nesta semana, o Banco Central deverá elevar a Selic em mais 0,25 pontos percentuais, ara 14,50% ao ano.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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