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Ilha de Deus: um espaço para aprender e ensinar

A francesa Auriane Lamy, 18 anos, natural de Paris, destacou que chegou ao Recife sem falar nenhuma palavra em português, mas aprendeu várias com as crianças. (Guilherme Verissimo/Esp DP/DA Press.)
A francesa Auriane Lamy, 18 anos, natural de Paris, destacou que chegou ao Recife sem falar nenhuma palavra em português, mas aprendeu várias com as crianças.

A Ilha de Deus, no Recife, tem sido palco para a troca de aprendizado entre estrangeiros e a comunidade local. Há dois meses, intercambistas de vários países começaram a dar aulas de línguas a crianças, jovens e adultos da Ilha. O projeto é da Associação Internacional de Estudantes em Ciências Econômicas e Empresariais (Aiesec), mas não se limita a alunos só dessas áreas, e sim de todas.

As aulas ocorrem no Centro Educacional Popular Saber Viver, de segunda a quinta-feira, todas as tardes. O clima de interação é visível, porque a troca de experiências não fica só no ambiente da sala de aula. Ao final de cada turno, estudantes e intercambistas conversam, brincam e até dançam. Trocam promessas de visitas aos países de origem dos professores. “A melhor parte é que a gente ensina um pouco de português e da nossa cultura, além de aprender sobre a cultura deles. Outro dia, ensinamos elas (as professoras) a dançarem”, contou Ivilin Ester Farias da Silva, 14 anos, estudante do 9º ano da Escola Estadual Gercino de Pontes.

A gerente de Experiência de Intercâmbio da Aiesec, Camila Diles, 22, detalhou o perfil dos intercambistas. São jovens com idades entre 18 e 30 anos, universitários ou concluintes de graduação nos últimos dois anos. Mas a característica principal dos integrantes do projeto, segundo ela, é a mente aberta. “São pessoas que querem compartilhar vidas”, destacou.

De acordo com Camila Diles, há jovens de mais de 120 países participando da iniciativa. Vêm da França, Turquia, Canadá, Egito, China, Argentina, entre outros. Atualmente, cerca de 100 intercambistas participam do projeto no Recife e Região Metropolitana, sendo 27 deles professores na Ilha de Deus. Em geral, os estrangeiros ficam hospedados em casas de família, mas 12 deles estão fixados na própria Ilha de Deus, no prédio do Centro Educacional.

A interação entre estrangeiros e estudantes não fica só na sala de aula. Depois de cada lição, as turmas brincam, conversam e até dançam. (Guilherme Verissimo/Esp DP/DA Press.)
A interação entre estrangeiros e estudantes não fica só na sala de aula. Depois de cada lição, as turmas brincam, conversam e até dançam.

A francesa Auriane Lamy, 18, natural de Paris, é estudante de Ciência Política na França. Ela destacou que chegou ao Recife sem falar nenhuma palavra em português, mas aprendeu várias com as crianças. “Elas vêm todos os dias e nos passam muita energia. Algumas, inclusive, nos convidam para conhecer a casa delas.”

Jônatas Emanuel da Silva, 12, é estudante do 4° ano da Escola Municipal Capela Santo Antônio e um dos alunos de Auriane. Ele relatou sua experiência com entusiasmo. “Eu não faltei nenhum dia. Já aprendi coisas em inglês como perguntar como está você e qual o seu nome.” Para Auriane, a única dificuldade é com relação ao nivelamento das turmas, já que elas reúnem crianças, adultos e adolescentes, algo que pode ainda ser aperfeiçoado, já que a iniciativa na Ilha de Deus tem somente dois meses.

[embedded content]De acordo com o coordenador do Centro, Fábio Herculano, mais de 70 crianças, jovens e adultos da Ilha de Deus e comunidades vizinhas participam. Cada intercambista passa seis semanas na comunidade. Depois são substituídos por outros que chegam. Neste mês de agosto, mais 10 novos estrangeiros chegarão à Ilha por meio da Aiesec, presente no Recife há aproximadamente 12 anos. Parte da aula é dada com dois ou três professores ao mesmo tempo para o grupo.

Na outra parte, cada estrangeiro se responsabiliza por uma equipe menor, com 4 ou 5 alunos. É quando a troca de experiências fica mais intensa, porque o professor fica mais próximo das crianças e adolescentes. Atualmente são três turmas diárias, uma de espanhol, pela manhã, e duas de inglês, sendo uma à tarde e outra à noite.

Os intercambistas vêm de vários países, como França, Turquia, Canadá, Egito, China, Argentina, entre outros. Atualmente, cerca de 100 participam do projeto no Recife e Região Metropolitana, sendo 27 deles professores na Ilha de Deus. (Guilherme Verissimo/Esp DP/DA Press.)
Os intercambistas vêm de vários países, como França, Turquia, Canadá, Egito, China, Argentina, entre outros. Atualmente, cerca de 100 participam do projeto no Recife e Região Metropolitana, sendo 27 deles professores na Ilha de Deus.

 
Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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