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Irregularidades nas calçadas obrigam moradores a andar na rua


A cuidadora Andrea Correa tem dificuldades em passar com a cadeira de rodas de Maria Auxiliadora

Foto:  Estefan Radovicz / Agência O Dia

Niterói – No meio do caminho tinha uma pedra e um buraco. A adaptação no verso do eterno Carlos Drummond de Andrade retrata bem a situação de muitas ruas e calçadas de Niterói. Em bairros da Zona Sul, o ir e vir pela cidade é repleto de altos e baixos.

Na esquina das ruas Nóbrega e Domingues de Sá, no Jardim Icaraí, é difícil passar com a cadeira de rodas. Que o diga Andrea Correa, 37, cuidadora de Maria Auxiliadora Nese, 80. “Além dos buracos, é muito comum os carros pararem em frente às rampas de acesso”, contou.

A jornalista Lucília Machado, 55, também usa cadeira de rodas e logo ao descer do seu prédio, na Rua Visconde de Moraes, no Ingá, enfrenta o primeiro obstáculo: uma rampa quebrada que virou poça d’água. “Isso é um problema geral do Brasil, as calçadas não são acessíveis. A pessoa que empurra a cadeira tem que ser forte. E a trepidação é intensa”, relatou.

Em Itaipu, na Região Oceânica, moradores da Rua José Florêncio Pereira (antiga 33), transversal à Avenida Central, tem promessas de asfalto há pelo menos cinco anos, mas até agora nada. “É difícil de passar a pé e de carro. E olha que a gente paga R$ 2 mil de IPTU por ano”, disse a estudante Rulliany Marins, 21.

Na Avenida Florestan Fernandes, uma das principais vias de Camboinhas, de um lado estão casas com grandes jardins, raras com calçada, do lado oposto um terreno vazio, também sem passagem para pedestres. O jeito é andar no meio da rua. O aposentado Carlos Innecco, 79, está indignado. “A rua é estreita. Passa bicicleta, carro e não tem espaço para o pedestre. De manhã, o pessoal que trabalha aqui vem andando pelo meio da rua”, alertou.


Em Camboinhas, Carlos Innecco tem que andar na rua por falta de calçada

Foto:  Estefan Radovicz / Agência O Dia

De acordo com a prefeitura, as calçadas são responsabilidade dos donos dos imóveis, a fiscalização que é com eles. Ela é feita por agentes do Departamento de Fiscalização de Posturas, mas não há um circuito regular. Quando há irregularidade, o prazo para reparos é de 30 dias e o não cumprimento pode gerar multas a partir de R$ 464. Denúncias podem ser feitas pelo e-mail seguranca@niteroi.rj.gov.br. Disseram que vão enviar equipes aos locais mostrados na reportagem.

Já a pavimentação das vias é feita pela Emusa. A prefeitura informou que a Região Oceânica é a mais carente de asfalto. A população pode solicitar o serviço de ‘tapa buraco’ pelo Facebook (https://goo.gl/2nJ13g), pela ouvidoria (3523-8404), ou pelo aplicativo Colab.re (http://www.colab.re/BR/RJ/Niteroi).


Reportagem de Marina Rocha

Originalmente matéria publicada no Jornal O Dia (http://odia.ig.com.br)

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