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Motoristas e cobradores de ônibus podem voltar a realizar paralisações

Motoristas e cobradores de ônibus podem voltar a realizar paralisações como como a iniciada na manhã desta segunda-feira, deixando  dois milhões de pessoas sem transporte. De acordo com Aldo Lima, um dos líderes do movimento, os atos podem acontecer durante toda a semana. Na tarde de hoje, a categoria, formada por cerca de 18 mil trabalhadores, reúne-se na sede do Simpere, na Avenida Visconde de Suassuna, em Santo Amaro. Ao final do encontro, uma entrevista coletiva deve ser concedida sobre os rumos da mobilização.

Oficialmente, o Sindicato Trabalhadores em Transportes Rodoviários Urbanos de Passageiros do Recife e Regiões Metropolitanas da Mata Sul e Norte (STTREPE) alega que não serão realizados novos protestos esta tarde, mas programou para às 14h desta terça-feira uma passeata da Praça Oswaldo Cruz ao Palácio do Governo e de lá, até o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na Avenida Cais do Apolo.

Hoje, a categoria se mobilizou ainda na madrugada, nas garagens das empresas e praticamente nenhum ônibus circulou no Grande Recife até as 10h. Na garagem da Pedrosa, em Nova Descoberta, zona norte do Recife, houve tumulto pela manhã e um motorista foi atingido por spray de pimenta. O homem, de 63 anos, foi socorrido. De  todas as 13 empresas que atuam no sistema, apenas uma não voltou a circular no final da manhã. Os ônibus da Metropolitana continuam na garagem.

A paralisação pegou de surpresa os usuários e ajudou a travar o tráfego, complicado também pela volta às aulas na rede privada de ensino e aumento de carros nas vias. Como alternativa, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) decidiu aumentar o número de trens do Metrô do Recife e reduzir os intervalos entre as viagens até as 9h30. O horário de pico, que geralmente começa às 6h e vai até as 8h30, foi estendido em uma hora pela manhã. O mesmo deve acontecer à noite, quando haverá mais trens à disposição dos passageiros das 17h às 21h, uma hora a mais que o normal. Muitas kombis de lotação e mototáxis circulam pelas cidades do Grande Recife. Quem resolveu gastar mais e pegar um táxi, também enfrentou dificuldades em encontrar um veículo disponível diante de tanta procura.

A greve é um protesto contra a decisão do Tribunal Superior do Trabalho, que reduziu o aumento 12% para 9%. O tíquete alimentação também foi reduzido: caiu de 59,57% para 9%. A greve teve adesão praticamente total da categoria. Em julho passado, os rodoviários ficaram em greve por quase três dias e a greve só terminou quando o Tribunal Regional do Trabalho julgou o dissídio e concedeu reajuste de 12% nos salários e de 59,57% no tíquete de alimentação. Satisfeitos, os rodoviários encerraram a greve. Decisão agora revertida pelo TST, pelo menos provisoriamente. Atualmente, os trabalhadores recebem R$ 188 no tíquete de alimentação. Com o aumento aprovado pelo TRT de 59,57%, o benefício chegaria a R$ 300. Os motoristas de ônibus ganham R$ 1.765 e passariam a receber R$ 1.976,80. Os cobradores, que ganham R$ 812, receberiam R$ 909,44. E os fiscais, que recebem R$ 1.141, ganhariam R$ 1.277,92.

O Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de Pernambuco (Urbana-PE) divulgou uma nota oficial sobre a paralisação. Confira o documento na íntegra:

A Urbana-PE lamenta que a população e a economia local sejam novamente penalizadas por uma paralisação promovida pelos rodoviários e repudia o movimento, realizado sem nenhum fundamento legal e sem qualquer comunicação prévia às empresas e à sociedade. A decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) se deu dentro das regras legais e do uso democrático do processo, tendo respondido à solicitação, legal e legítima, de revisão dos percentuais de aumento concedidos este ano pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT-6) por ocasião do julgamento do dissídio, face à total incapacidade do setor econômico de cumprir o que foi determinado.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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