Violência muda horário de creches e escolas no Complexo da Maré

Rio – O aumento da violência no Complexo da Maré após a saída do Exército já se reflete na rotina de pais e alunos das unidades municipais da região. Professores de 11 das 33 escolas e creches do conjunto de favelas pediram medidas de proteção à Secretaria Municipal de Educação. Segundo o órgão, emergencialmente o horário das aulas foi reduzido. O início, que era às 7h20, foi adiado para as 8h e o término, que era 16h30, passou para 16h.

“Os tiroteios sempre acontecem durante a troca da guarda da PM, por volta das 7h. Por isso, reivindicamos a redução do horário”, explicou a professora Suzana Gutierrez, do Ciep Elis Regina, que fica na favela Nova Holanda.

Segundo a secretaria, o horário novo está previsto inicialmente apenas para este mês. Novas reuniões com autoridades da segurança estadual estão previstas para manter ou mudar os horários e estudar outras possíveis medidas protetivas para professores e alunos. O órgão ainda não sabe se poderá repor os 70 minutos diários a menos de aulas. Os professores, entretanto, argumentam que perdem dias de trabalho por causa dos confrontos.

Frequentes tiroteios entre traficantes e policiais têm provocado a suspensão de aulas na Maré, principalmente nas favelas Rubem Vaz, Nova Holanda e Baixa do Sapateiro. Na reivindicação, os professores pediam uma redução ainda maior, de cerca de duas horas diárias. Eles foram nesta segunda-feira conversar com a secretária municipal de Educação, Helena Bonemi, sobre o problema.

“Nos dias 30 de junho, 1°, 2 e 3 de julho não tivemos aula. Semana passada também perdemos dois dias e essa semana tivemos apenas meio período. É sempre uma situação de muita instabilidade para quem está na escola”, afirmou uma outra professora, que pediu anonimato. Segundo ela, já houve confronto na porta da escola em que trabalha com as crianças lá dentro. “Já peguei situações na minha escola do caveirão parado na porta trocando tiros e a aula acontecendo”, ressaltou a professora.

A PM informou que tem realizado reuniões mensais dos comandantes dos batalhões com diretores e professores das escolas da Maré para ouvir as reivindicações e resolver os problemas. O objetivo é melhorar o patrulhamento na região.

Originalmente matéria publicada no Jornal O Dia (http://odia.ig.com.br)

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