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Estados sofrem com greves, atrasam salários e aumentam impostos

O fio de esperança transmitido pelos candidatos aos governos estaduais, em 2014, está se desmancha ao longo deste ano. Dos 26 estados brasileiros e Distrito Federal, 25 enfrentaram greves. Destes, 15 atrasaram salários de servidores ou terceirizados, sendo que 13 apresentaram um pacote de ajuste fiscal para aumentar as receitas – um reflexo da crise do governo Dilma Rousseff. O cenário político e econômico do país respinga até mesmo nos estados do Sudeste, os mais ricos, e afeta outras regiões. Embora o vice-presidente Michel Temer (PMDB) tenha se posicionado contra a recriação da CPMF, com apoio de alguns peemedebistas, quatro dos sete governadores do PMDB elevaram cargas tributárias estaduais e apertaram o bolso dos servidores – um público que faz barulho.

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São poucos os estados que continuam investindo em obras ou oferecendo incentivos fiscais. Entre eles, estão Ceará, Maranhão, Mato Grosso e Santa Catarina, dois deles no Nordeste, um no Centro-Oeste e outro no Sul do país.Entre os seis estados governados pelo PSDB, por exemplo, três aumentaram cargas tributárias, como ICMS, enquanto cinco dos quatro geridos pelo PT, curiosamente, estão enfrentando greves de trabalhadores.

Embora a menina dos olhos do PSDB seja o governador Geraldo Alckmin, de São Paulo, é o governador do Mato Grosso, Pedro Taques, filiado à legenda tucana em agosto, que chama a atenção. Até agora, ele conseguiu dialogar com os servidores, evitando greves, esforçou-se para não aumentar tributos e não tem atrasado salários. Ex-procurador da República, Taques assumiu o governo com uma folha inchada, consumindo R$ 5,3 bilhões em pagamentos, quando a receita corrente é de R$ 10,7 bilhões, o que ainda não está totalmente resolvido. Mas cortou mais de mil cargos comissionados e optou por criar programas para estimular os bons pagadores, além de fiscalizar gastos ruins, seja com obras ou contratos.

No levantamento feito pelo Diario, foi possível observar que os estados em situação mais grave são Paraná e Rio Grande do Sul, governados por Beto Richa (PSDB), reeleito, e por Ivo Sartori (PMDB), que era uma grande aposta da legenda peemedebista. A agenda negativa do Paraná ficou conhecida após a Batalha do Centro Cívico, onde 213 servidores foram feridos no mês de abril.Beto Richa bateu o recorde de pacotes de ajustes fiscais, foram quatro ao todo, e é conhecido por usar o “tratoraço” nas votações da Assembleia Legislativa. Já o governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), enviou proposta de reforma administrativa para enxugar gastos e, três meses depois, criou a Secretaria Extraordinária de Integração de Políticas Sociais para indicar a filha (Izabela Jatene) como titular.

No PT, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, é o que tem enfrentado mais dificuldades, começando pela comunicação, hierarquizada e centralizada.Nenhum assessor de imprensa do Executivo, para se ter uma ideia, respondeu a perguntas sobre a situação do estado mineiro. Pimentel ainda conseguiu algo inédito, quando o governo teve acesso a R$ 6 bilhões referentes a depósitos judiciais do fundo de reserva do Tribunal de Justiça mineiro.

No Amapá, o governador Waldez Góes (PDT) adotou o ditado “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Ele aumentou o próprio salário, de R$ 24 mil para R$ 30 mil, o do vice, de R$ 18 mil para R$ 28 mil, e o dos secretários, de R$ 8 mil para R$ 14 mil, mas atrasa salários dos servidores, que também não conseguem fazer empréstimos consignados porque o estado não repassa às instituições financeiras o desconto em folha.Ainda no Norte do país, a governadora Suely Campos (PP-RR) atrasou o repasse do duodécimo do Legislativo,  Tribunal de Contas, Defensoria Pública e Ministério Público.

Do PSB, que pretende sair da independência para a oposição, os três governadores enfrentaram greves, atrasaram vencimentos de servidores ou empresas terceirizadas. Além disso, eles anunciaram aumentos de impostos para evitar o fechamento das contas no vermelho, diante da perspectiva de agravamento da situação econômica do país.

O caso do Distrito Federal, cujo déficit é de R$ 3 bilhões, é emblemático. O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) ainda não encontrou a fórmula para blindar o estado da crise. Ele cortou o próprio salário, porém tem sido questionado até mesmo por pequenas coisas, como aumentar a entrada do zoológico, que saiu de R$ 2 para R$ 10. Ainda reajustou a passagem de ônibus e de metrô, contrariando a promessa de campanha.

O retrato de todos os governadores atuais, aliás, é diferente do apresentado no último pleito, onde tudo era possível de se resolver somente com vontade.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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