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Filme Evereste surpreende ao evitar apelações emocionais

Jason Clarke interpreta o líder de uma excursão no ponto mais alto do planeta. Fotos: Universal/ Divulgação
Jason Clarke interpreta o líder de uma excursão no ponto mais alto do planeta. Fotos: Universal/ Divulgação

 
Filmes que retratam catástrofes normalmente seguem o caminho do terror ou do melodrama. Evereste, que entra em cartaz nos cinemas nesta quinta, utiliza os dois tipos de recurso, mas ambos de forma discreta. Ao reconstituir uma tragédia ocorrida no ponto mais alto do mundo em 1996, a superprodução consegue ser sutil, apesar do cenário espetacular.

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Dos filmes de terror, o filme adota a expectativa sobre a morte. Desde o início, o espectador tem a sensação (ou a certeza, por se tratar de uma história real) de que alguém vai morrer. Quem, quantos e a que momento é a dúvida. As fatalidades, entretanto, são retratadas sem ênfases emocionais, sem efeitos de câmera lenta e sem músicas feitas para emocionar. A dor está no fato e não na forma como ele é apresentado. A opção reforça a ideia de que, em um ambiente tão perigoso, bastam alguns segundos ou uma pequena distração para o pior acontecer.

A carga melodramática fica praticamente restrita aos sentimentos das esposas e colegas dos alpinistas. Mesmo assim, elas acompanham tudo por telefone ou por rádio, em casa, à espera de boas notícias, enquanto os maridos estão presos nas montanhas em meio à neve. O choro não é escandaloso. Basta a informação de que uma delas está grávida para que o público sinta compaixão.

[embedded content]Outro diferencial de Evereste é a ausência de culpabilidade. Os acontecimentos trágicos são resultado do poder da natureza. O risco, afinal, foi assumido pelos personagens a partir da decisão de visitar um local inabitável. Outros filmes jogariam parte da culpa em um traidor, um irresponsável ou um vilão, mas desta vez é mais importante a reflexão sobre o acaso e a fragilidade da vida diante da grandiosidade do mundo.

Evereste tem aparecido em especulações sobre o Oscar de 2016, mas nunca entre os favoritos. Não chega a estar entre os dez mais cotados em nenhuma categoria. O elenco, por exemplo, é prejudicado pelo excesso de personagens, que não permite maiores desenvolvimentos humanos e ainda deixa o filme meio confuso, já que é difícil decorar tantos nomes e reconhecer quem está por trás dos óculos, máscaras e trajes de proteção contra o frio extremo.

O único ator que ganha a oportunidade de mostrar um trabalho mais elaborado é Jason Clarke, no papel do líder de uma das equipes de alpinistas, formada por turistas. Outros nomes de peso (associados ao Oscar) estão presentes, como Jake Gyllenhaal, Josh Brolin, Keira Knightley, John Hawkes, Emily Watson e Sam Worthington. A direção é do islandês Baltasar Kormákur (Sobrevivente, Dose dupla).

Jake Gyllenhaal e Josh Brolin ficam perdidos em meio a tantos personagens
Jake Gyllenhaal e Josh Brolin ficam perdidos em meio a tantos personagens

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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