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Anúncio da Áustria de construir cerca fronteiriça ameaça tratado europeu

Menina migrante se aquece na Eslovênia enquanto aguarda a chegada de ônibus até a fronteira com a Áustria. Foto: AFP/Rene Gomolj.
Menina migrante se aquece na Eslovênia enquanto aguarda a chegada de ônibus até a fronteira com a Áustria. Foto: AFP/Rene Gomolj.


Viena (AFP)
– O anúncio feito pela Áustria nesta quarta-feira de que construirá uma cerca ao longo da fronteira com a Eslovênia, que também integra a União Europeia (UE), para controlar o fluxo de migrantes, representa uma nova ameaça ao tratado de livre circulação de Schengen.

A ministra do Interior austríaca, Johanna Mikl-Leitner, não forneceu detalhes sobre como seria esta cerca, a primeira entre dois países do espaço Schengen, mas negou que seja um muro anti-imigrantes.

“Isto é sobre garantir uma entrada ordenada e controla em nosso país, e não sobre fechar a fronteira”, declarou ao canal de televisão Oe1.

“Nas últimas semanas vários grupos de imigrantes se mostraram impacientes, agressivos e emotivos. Temos que tomar precauções”, completou.

“Uma cerca também tem uma porta”, acrescentou a ministra, respondendo assim às críticas de seus parceiros europeus, dois dias após uma cúpula europeia para tentar evitar que os Estados adotem medidas unilaterais nesta crise.

A decisão austríaca poderia desencadear, como teme a UE, decisões semelhantes por outros países por onde transitam os refugiados provenientes da Turquia e da Grécia, que querem alcançar países europeus, principalmente a Alemanha.

O primeiro-ministro esloveno, Milo Cerar, lembrou que seu país estava pronto para uma decisão deste tipo e que seu governo “está preparado para construir uma barreira” ao longo de sua fronteira com a Croácia, se necessário.

Na terça-feira, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, alertou que a crise migratória poderia causar “um terremoto no panorama político europeu”, porque ameaça o princípio da livre circulação.

A decisão de construir a cerca já teve um impacto sobre as relações tradicionalmente amistosas entre a Áustria e a Alemanha, e o líder conservador da Baviera, Horst Seehofer, acusou seus vizinhos de desviar milhares de refugiados para o seu país, sem aviso prévio.

Por sua vez, o ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière, denunciou um comportamento “incorreto” do governo de Viena, enquanto o porta-voz do governo de Berlim disse que construir “cercas ou muros” não é a solução.

“Não acreditamos que o problema atual dos refugiados, a crise dos refugiados que afeta a todos na Europa, possa ser resolvido com a construção de barreiras ou muros”, afirmou Steffen Seibert.

Convite da Alemanha
De acordo com a ministra do Interior austríaca, “a realidade é que as pessoas querem ir para a Alemanha, porque se sentem convidados”, em uma alusão à política de acolhimento dos refugiados da chanceler Angela Merkel, cada vez mais criticada dentro de seu próprio país pelos conservadores.

Apesar de sua política aparentemente favorável aos imigrantes, o governo de Berlim anunciou novas medidas para expulsar os migrantes econômicos, particularmente aqueles nos Bálcãs.

Por sua parte, o ministro Maizière chamou nesta quarta-feira de “inaceitável” o grande número de jovens afegãos que procuram asilo na Alemanha, pedindo para que voltem a seu país para reconstruí-lo.

A Alemanha prevê acolher este ano entre 800.000 e um milhão de requerentes de asilo. Sírios, albaneses e afegãos lideram a lista de solicitações.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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