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Artigo: Mulher não implora por Direitos, mulher luta por eles!

 

Não é recente que mulheres lutam contra as desigualdades existentes na sociedade, muito pelo contrário a mulher já foi sopesada como um ser inferior na escala metafisica que repartia os seres humanos, a ela sempre foi reservado o lugar de menor destaque tendo como direitos e deveres voltados apenas para cuidar de seus filhos e do lar, enquanto o homem tinha um papel de destaque tanto na politica quanto na vida social.

Mesmo após a revolução industrial com o aclamado direito a igualdade, liberdade e fraternidade, a mulher ainda era considerada um objeto e não um ser detentor de direitos como o homem, pois a igualdade aclamada na revolução francesa era uma igualdade de poucos. Foi essa concepção de contestação entre os sexos, que foi o corpo de justificativa que contribuiu para desigualdades sociais, politicas e econômicas existentes entre homens e mulheres. Sendo que essas desigualdades só viriam a diminuir com o advento da declaração universal do direito do homem.

O advento da em vigor constituição federal de 1988 simbolizou um grande marco na instituição dos direitos dos humanos e das mulheres, trazendo em seu corpo princípios fundamentais garantidores de direitos não só as mulheres como também a todo cidadão independente de raça, língua ou cor. Sendo que o maior destaque da nossa carta magna foi o inciso I do art. 5º, que consagrou pela primeira vez na historia constitucional brasileira à igualdade entre homens e mulheres como um direito fundamental e inviolável.

Esse foi o primeiro degrau para as demais conquistas dos direitos femininos como o tratamento igualitário atribuído a figura feminina em nosso código civil, fazendo com que a mulher possa escolher seu domicilio, tenha igualdade no casamento e nas relações familiares, conquistas igualitárias no direito do trabalho, saúde, mudanças no código penal foram realizadas para garantir a toda mulher respeito, dignidade e honra para que não seja violado nem a integridade física nem psíquica de mulheres, avançou ainda mais em conquistas por direitos políticos e de cidadania, o que contribuiu para que as mulheres pudessem ocupar lugar de destaque concorrendo com a figura masculina.

Embora as mulheres tenham conquistado ao longo do século direitos conforme citado, o grande grito feminino em diversos movimentos é por igualdade. Ademais embora previsto em diversos textos legislativos, é certo afirmar que a desigualdade e discriminação ainda não encontra-se dissolvida na sociedade.

 Diariamente mulheres são expostas a tratamentos degradantes, sim degradantes, pois a atribuição da sociedade contemporânea à figura feminina é de “mulher multe funções”, mulher mãe, esposa, dona de casa, trabalhadora, profissional, amiga, confidente e etc. Muitas mulheres sentem orgulho das suas multe funções, aliás, esse orgulho advém de anos de luta por um lugar no mercado de trabalho. Mas e o homem? Enquanto a mulher tem suas “multe funções” O homem continua com o mesmo papel de séculos atrás na sociedade, e ainda por cima recebe a remuneração maior. A ilusão de mulher forte ser atribuída à figura de multe funções tem acarretado estres psíquico, moral as mulheres modernas.

Nas ruas mulheres diariamente são assediadas moralmente, são discriminadas por uma sociedade que bate no peito e dizendo que sonha por um mundo moralmente correto, justo e igualitário, mas são os primeiros a sonegar o respeito e dignidade para com o próximo que ainda tem em suas mentes e corações resquício de uma sociedade machista e patriarca. No ambiente familiar mulheres são expostas a tratamentos degradantes, e machistas, e muitas vezes chegam a ser agredidas.

É certo que em nossa constituição como também em diversos textos normativos a igualdade é garantida a toda e qualquer mulher. O que faz com que a mulher seja objeto da igualdade, e o homem é o sujeito e paradigma deste pretenso sistema de igualdade, pasmem, mas é a realidade de uma sociedade que se diz contemporânea mais ainda esta presa a paradigmas ancestrais.

Se observarmos, do ponto de vista sociológico pode-se observar que nossa cultura decorre de uma cultura patriarcal, que estabelece uma conotação de um determinado sistema de valores que diferenciam o homem da mulher, o que coloca-os em situação de desigualdade gerando a discriminação existente entre homens e mulheres, no patriarquismo o homem sempre foi tido como um ser forte e esperto, e a mulher foi dado a fragilidade devendo receber proteção especial recebida pelo estado. E essa cultura patriarcal esta presente ainda em nossa sociedade o que faz com que a mulher seja muito discriminada.

É tempo de despertar, e não de cruzar os braços e contentar-se com parcas conquistas, é hora de arregaçar as mangas e lutar para que o princípio da igualdade saia do papel, para que a mulher seja considerada sujeito de direito e não apenas objeto de lei, deve-se lutar pela igualdade de gêneros.

 A palavra feminismo vai muito além do que um orgulho em ser mulher, o feminismo é a crença de que os homens e mulheres devem ter oportunidades e direitos iguais, é a teoria da igualdade politica, econômica e social entre os sexos. Aliás, você mulher desde o berço é descriminada: somos ensinadas que meninas devem usar rosa, porque rosa é feminino, boneca é para meninas e carro para meninos, jogar bola deixa meninas com aparência de masculinas, homens não podem demonstrar o que sentem. Sem contar que a imprensa sexualiza a figura feminina, atribuindo um biótipo padrão, na qual todas as mulheres devem seguir para serem consideradas bonitas, femininas e atraentes.

Feminismo é lutar por direitos de igualdade e respeito, e é direito de toda mulher receber o mesmo salário que os homens, é direito da mulher tomar decisão sobre seu próprio corpo, e direito das mulheres estarem envolvidas como representantes em politicas e em decisões do país, é direito das mulheres que socialmente receba o mesmo respeito que os homens, mas infelizmente não existe em nenhum país do mundo em que as mulheres possam esperar esses direitos serem cumpridos, nenhum país podem dizer que alcançou a igualdade do gênero.

Vários movimentos feministas são realizados no Brasil, e o alarmante é que menos de 20% da audiência é masculina. Como é que pode-se efetivar mudanças de paradigmas, mudanças nos direitos se apenas uma pequena parte é convidada? Homens a igualdade do gênero também é seu problema! Até os dias atuais o papel do homem é ser valido na sociedade, diversos homens morrem com doenças que poderiam ser diagnosticadas com antecedência justamente porque tem medo de procurar tratamento medico para não serem considerados menos homens, hoje em dia homens consideram-se frágeis e inseguros sobre o que constitui o sucesso masculino.

Homens vocês também estão presos ao estereótipo de gênero, pois quando houver mudanças para os homens haverá mudanças para as mulheres também: se os homens não precisar ser agressivo para demonstrar masculinidade, as mulheres não serão obrigadas a serem submissas e agredidas, se os homens não precisasse ter mais de uma mulher para ser masculino as mulheres seriam mais respeitadas e valorizadas. Tanto os homens quanto as mulheres deveriam ser livres desse histerioptico patriarca para serem fortes.

É hora de começar a ver o gênero como um espectro ao invés de dois conjuntos de ideais opostos, deveríamos parar de nos definir pelo que não somos e começarmos a nos definir pelo que somos, todos devem ser livres, e é por essa liberdade que vocês homens devem lutar para que suas filhas, irmãs, mães e esposa possam se libertar do preconceito e discriminação mas também para que seus filhos tenham a permissão de serem vulneráveis e humanos fazendo isso sejam a versão de si mesmos. É hora de lutar para que homens e mulheres tenham a permissão para ter autenticidade e plenitude para serem o que quiser.

Kleytynane Silva dos Santos

Acadêmica de Direito da Faculdade Cesmac do Agreste

 

 

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