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Brasil cai para 9º no ranking global

Tradicionalmente cauteloso nas projeções econômicas, o Fundo Monetário Internacional (FMI), piorou fortemente as previsões de desempenho da economia brasileira neste ano e no próximo. O órgão multilateral dobrou a estimativa de queda do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, de 1,5% para 3%, colocando-a acima das projeções feitas pela maioria dos analistas do país. Em 2016, o PIB brasileiro encolherá 1%, de acordo com o documento “Panorama Econômico Global” (WEO, na sigla em inglês), divulgado ontem pela entidade, em Lima. Em julho, o Fundo apostava que a queda não passaria de 0,7% no próximo ano.

Caso as novas projeções do FMI se confirmem, além de viver dois anos seguidos de uma acentuada retração econômica, o Brasil perderá o posto de sétima economia do planeta. O país será ultrapassado pela Índia, que cresce em ritmo mais acelerado do que a China, e pela Itália, ficando em nono lugar neste ano e no próximo. É a pior posição no ranking desde 2007, quando ocupávamos a 10ª colocação. Esta é a oitava revisão para baixo seguida do PIB brasileiro feita pelo FMI.
Pelas estimativas da instituição, o PIB mundial crescerá 3,1% neste ano, abaixo dos 3,3% previstos em julho. Para o ano que vem, a aposta caiu de 3,8% para 3,6%.

Problema grave
A economista Monica Baumgarten de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, em Washington, e sócia da consultoria Galanto/MBB, considerou que o novo relatório mostra que o FMI está mais preocupado em acertar as previsões. “O Fundo tem errado muito na maioria das projeções para os mercados emergentes. As novas estimativas para o Brasil indicam que ele está querendo ter um cenário mais realista”, avaliou. Segundo ela, os organismos internacionais estão percebendo que “o problema na economia brasileira é muito mais grave do que se previa no início do ano”.

No entender da economista, o quadro traçado pelo FMI mostra que o rebaixamento do Brasil pela Moody’s ainda este ano, e a consequente perda do grau de investimento conferido pela agência são inevitáveis. Esse movimento já foi feito, no início de setembro, pela Standard & Poor’s. “O risco de convulsão política e o segundo downgrade devem piorar ainda mais o cenário para 2016. As dúvidas sobre a capacidade do atual governo de fazer qualquer coisa em termos de ajuste fiscal cresceram muito, apesar da recente mudança ministerial”, alertou.

O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, no entanto, observa que, apesar de estar mais realista nas projeções para o PIB, o FMI ainda está otimista em relação à taxa de câmbio. “O valor médio do dólar usado nas previsões é de R$ 3,24, muito abaixo do que o mercado está prevendo. Se considerarmos uma média de R$ 3,84, o Brasil cairia para a décima posição entre as economias em 2016, sendo ultrapassado também pelo Canadá”, avisou. Agostini também acredita que o rebaixamento do país pela Moody’s deverá ocorrer este ano. “Não entendo porque isso ainda não aconteceu”, questionou.

Inflação
O economista Francisco Pessoa, da LCA Consultores, também não duvida de que o país será rebaixado nos próximos meses, porque o governo não conseguirá equilibrar as contas públicas nem em 2015 nem em 2016. Na avaliação dele, a presidente Dilma Rousseff apenas ganhou tempo com a mudança de ministros, mas não conseguirá a aprovação do Congresso à volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) em 2016. “Não restará ao governo senão aumentar a Cide sobre os combustíveis para R$ 0,60 ainda neste ano. Isso terá um impacto no preço da gasolina de 20% e, por isso estamos prevendo uma inflação de 10,50% em 2015, acima da média do mercado”, afirmou.

Menos força
O FMI prevê, pelo quinto ano seguindo, queda no ritmo de crescimento dos países emergentes ou em desenvolvimento, que foram o motor da economia global até recentemente. Para 2015, o Fundo prevê expansão de 4%, a taxa mais baixa desde 2009, quando o avanço foi de 3,1% Em 2007, às vésperas da crise financeira global, os emergentes cresceram 9%. A China, 14%.

Brics

A velocidade de crescimento da Índia ultrapassou a da China. Neste ano, a economia indiana vai avançar 7,3%, e, no ano que vem, 7,5% — contra 6,8% e 6,3%, respectivamente, da chinesa. Os dois países tem as maiores taxas entre os Brics, que inclui também Brasil, Rússia e África do Sul. Os russos terão queda de 3,8% neste ano, e de 0,6%, no próximo, o único desempenho pior que o do Brasil no grupo. Os sul-africanos crescerão 1,4% e 1,3%, no mesmo período.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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