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Criança que foi resgatada por conselheiro tutelar após denúncias dos vizinhos se recupera no Hospital Maria Lucinda

Todos os dias, o conselheiro tutelar Eurico Guedes, 32 anos, visita a menina de quatro anos que ajudou a resgatar na periferia de Olinda, no último sábado. A criança foi encontrada com lesões profundas e cobertas por larvas na cabeça. Surpreso, Guedes contou nunca ter visto maus-tratos como esse em dois anos de atividade. Casos de miíase, como é chamada a doença, no entanto, são considerados rotina no Hospital Maria Lucinda, no Parnamirim, onde a menina está internada. Atualmente, além dela, recebe atendimento uma outra garota, de 6 anos.
Segundo médicos, pelo menos uma ocorrência por mês é registrada na unidade, considerada referência no assunto no estado. Em geral, os pacientes são crianças do sexo feminino – cujos cabelos longos escondem as feridas – vítimas de negligência por parte dos responsáveis e em situação de vulnerabilidade social.

A situação da criança veio à tona no último sábado, quando o conselheiro tutelar recebeu a denúncia de vizinhos e foi à residência da menina. A vítima se dividia entre a casa da mãe, uma garçonete com 34 anos, e da avó, de 67 anos, inquilinas de um corredor formado por quartos simples, minúsculos e sem saneamento básico. “A mãe tentou colocar a responsabilidade na avó, uma idosa que tem até problemas de locomoção e responsável por ficar com as netas enquanto ela trabalha à noite. Uma vizinha não aguentou a situação e cortou o cabelo da criança à força depois de passar a noite ouvindo o choro da menina”, disse.

A pediatra Fernanda Serpa, que atende no Maria Lucinda, disse que, em geral, os pacientes têm feridas provocadas por coceiras em virtude da presença de piolhos. Quando a higiene do couro cabeludo não é feita, a larva da mosca Dermatobia hominis pode penetrar na ferida. “Para tratar o paciente, coloca-se éter na lesão para que a larva suba para respirar. Nesse momento, retiramos com uma pinça”, explica. Em casos graves, pode haver infecções secundárias provocadas por bactérias e até uma infecção generalizada.

A mãe da criança foi denunciada na Delegacia de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA) de Paulista. O delegado Antônio de Campos disse que caso seja confirmada lesão corporal grave, a mãe pode ser condenada a mais de quatro anos. Penas inferiores a quatro anos podem ser revertidas em pena alternativa. “Encaminhamos a criança para o IML para constatar se houve comprometimento de algum órgão da menina, o que justificaria a caracterização de uma lesão grave”, explicou o delegado. A mulher já foi ouvida e vai responder em liberdade.

A menina ainda não tinha certidão de nascimento, o que já foi providenciado pelo conselheiro tutelar. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) deve entrar com pedido de destituição do poder familiar da mulher.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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