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Especialistas dizem que leilão de usinas antigas é bom negócio, apesar da crise

A despeito das turbulências no setor elétrico e da crise econômica, especialistas avaliam que as hidrelétricas antigas que serão leiloadas em 6 de novembro são um bom negócio. Embora a outorga cobrada pelo governo seja alta, os analistas consideram que o preço-teto estabelecido pelo governo é bom e atrai investidores.

Para o diretor-presidente da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE), Alexei Vivan, a possibilidade de venda de 30% da produção das usinas para o mercado livre é muito vantajosa. 

“O governo teve o bom senso de reconhecer a necessidade de dar aos ativos maior atração”, afirmou Vivan. “É uma boa oportunidade para qualquer investidor, privado ou estatal. São ativos bons e que qualquer empresa gostaria de ter e operar.”

A taxa mínima de retorno é de 9,04% ao ano, bastante razoável, de acordo com Vivan. Segundo ele, o momento é bom principalmente para investidores estrangeiros. “O dólar valorizado torna o investimento mais barato”, acrescentou.

O vice-presidente da Moody’s e analista sênior, José Soares, disse ter uma expectativa positiva sobre o resultado do leilão. “É uma boa oportunidade para quem já está no País e para quem quer entrar”, afirmou. “Algumas empresas têm fôlego para isso. Tudo vai depender da capacidade de levantar recursos, além da adesão à Medida Provisória 688.”

Para o presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), Mario Menel, as usinas são ativos de baixíssimo risco, pois já estão em operação e não enfrentam qualquer imbróglio ambiental.

Na avaliação de Menel, a associação entre as atuais concessionárias detentoras das usinas e empresas estrangeiras é a melhor forma de mitigar o risco do leilão. “É uma combinação excelente entre capital em dólar e expertise de operação e manutenção”, afirmou.

Melhorias

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) incluiu no preço-teto da energia no leilão, de R$ 126,50 por megawatt-hora (MWh), uma parcela destinada a melhorias e reinvestimentos. Do total do Custo da Gestão dos Ativos de Geração (GAG), 60% são destinados a melhorias e 40% a operação e manutenção. Esse aspecto é visto como uma grande oportunidade para concessionários que fazem manutenção preventiva nos ativos.

Essa foi uma das principais críticas à proposta da Medida Provisória 579/2012, que não incluiu na tarifa o custo para melhorias nos empreendimentos. Para reformar uma turbina, por exemplo, as usinas e linhas renovadas nos termos da MP 579/2012 devem pedir autorização para a Aneel. Caso contrário, não poderão repassar o custo para a conta de luz. Um caso emblemático foi o da usina de Três Irmãos. Uma das máquinas da usina queimou e levou 10 meses entre a comunicação do problema e a autorização da reforma.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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