Falta de incentivo não deixa ballet dar saltos maiores em AL, diz bailarina

Segundo Eliana Cavalcanti, bailarinos preferem não se arriscar fora daqui. Em entrevista ao G1, ela manda recado para quem quer começar no ballet.

 

O ballet é uma arte que envolve leveza, graciosidade e muita dedicação. Muita mesmo. E nem sempre os bailarinos e bailarinas conseguem levar adiante o sonho de se dedicar integralmente à dança e fazer parte de um grande grupo em outro estado ou até mesmo outro país.

Para conhecer um pouco melhor o cenário do ballet em Alagoas, o G1 conversou com a bailarina Eliana Cavalcanti, que já tem quase 60 anos de carreira, e outros 40 dando aulas de ballet em sua escola, que é a mais antiga do estado (confira na entrevista acima).

Segundo ela, Alagoas não é um grande exportador de talentos para o exterior. “Acho que [aqui] existe uma coisa da família, sabe, de sair de perto de casa. Se não existe um mercado de trabalho vantajoso, por que sair de casa? Acho que o grande problema é esse. O mercado de trabalho é também é muito pequeno, mesmo no exterior. E aqui, não existe”, afirma Eliana.

Segundo bailarina, carreira do ballet é pequena e concorrida (Foto: Jonathan Lins/G1)
Segundo bailarina, carreira no ballet é pequena e concorrida (Foto: Jonathan Lins/G1)

Ainda segundo ela, esses fatores fazem com que bem poucos bailarinos tenham coragem de se arriscar longe de casa a construir uma carreira.

“O futuro pra dança, infelizmente, é muito incerto. É uma arte lindíssima, com muitas vantagens, muitos benefícios. Além da cultura, tem o benefício pra alma, tem o benefício pro corpo, e você deixa tudo isso pensando no amanhã, no futuro”, conclui.

Pra começar, basta o desejo
Eliana fala também a respeito da evolução do ballet, e que aquele porte físico dos bailarinos que as pessoas geralmente têm em mente, com corpos definidos e músculos das pernas super desenvolvidos, já não existe mais. O ballet tornou-se democrático e basta apenas o desejo para fazer o primeiro plié.

“Eu acho que a vontade é tudo. Pra começar você começa porque aqui, a cabeça, é o mais importante. Ela que realmente rege o corpo, e vai levando você cada dia mais a procurar. Pra mim, o bailarino é um perfeccionista. Quando ele olha no espelho, ele não está vendo o nariz, ou se o quadril é bonitinho. Ele busca a qualidade do movimento. Esse é o perfeccionismo que ele busca”, afirma.

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