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Familiares das vítimas da tragédia aérea buscam respostas em estado de choque

Ella Smirnova se nega a acreditar que seus pais tenham morrido e por isso continua esperando por eles no aeroporto de São Petersburgo, de onde partiu o avião russo que caiu neste sábado no Sinai egípcio.

“Estou esperando notícias de meus pais, falei com eles por celular quando estavam no avião e depois ouvirei informações sobre a tragédia”, airma Ella Smirnova, de 25 anos. “Quero acreditar até o fim que estão vivos, mas talvez nunca mais volte a vê-los”, acrescentou, em meio às lágrimas.

“Minha esposa estava no avião. Ela estava de férias com as crianças, mas graças a Deus meus filhos voltaram dois dias antes dela”, conta Nail, 60 anos.

“Às 6 horas da manhã, ela me mandou um SMS para dizer que tinha saído para o aeroporto, e foi isso”, acrescenta, inconsolável.

Várias ambulâncias chegaram ao aeroporto de Pulkovo, na periferia da antiga capital imperial russa  (noroeste), e as autoridades fletaram ônibus para levar os familiares para um hotel próximo.

O Airbus A321 da companhia Kogalymavia decolocou às 5H51 local  (01H51 de Brasília) com 217 passageiros e sete membros da tripulação a bordo, segundo as autoridades russas, e caiu 23 minutos depois.

Os restos foram localizados em meio a uma zona montanhosa da província do Sinai do Norte.

Não há sobreviventes na queda do aparelho, cujas causas ainda são desconhecidas.

O presidente russo Vladimir Putin ordenou o envio de aviões com equipes de emergência e membros do Comitê de  Investigação Área russa.

O ministro dos Transportes, Maxim Sokolov, também se deslocou para o local da tragédia e declarou que ainda é muito cedo para falar de culpados e punições.

Putin também declarou o domingo dia de luto nacional e expressou suas condolências aos parentes das vítimas.

Voando desde 1997

Irina Semionova, 35 anos, foi a Pulkovo para buscar sua amiga Natasha. “Eu mesma acabo de voltar de Sharm el Sheikh, nós nos conhecemos no hotel. Mantivemos contato pela última vez quando ela estava no free shop de Sharm el Sheikh e disse que comprou um perfume para mim”, conta, enquanto mostra uma foto da amiga em seu celular.

Segundo as agências russas, o avião foi fletado pela operadora de turismo Brisco, que realiza viagens principalmente para a Turquia e o Egito, os destinos turísticos preferidos dos russos.

As baratas praias egípcias estão sofrendo menos que os outros destinos devido à queda do rublo e a recessão na Rússia, o que motiva uma forte queda de viagens ao exterior.

A companhia Kogalymavia, que opera como Metrojet desde 2012, foi criada em 1993 com o nome de Kolavia. Está classificada na 19a. posição na Rússia, pelo número de passageiros que transporta, segundo as estatísticas das autoridades aéreas russas, e usa dois Airbus A320 e setee A321.

O A321 que caiu neste sábado realizou seu primeiro voo em 1997, com a companhia libanesa MEA, segundo o site especializado airfleets.fr, antes de passar à Onur Air, à Saudi Arabian Airlines, de novo à Onur Air e finalmente a Kogalymavia, em 2012.

Os passageiros em Pulkovo se mostravam preocupados.

“Não sabemos qual é nosso avião. Mas se for Kogalymavia, não queremos ir”, declarou à televisão pública russa Angelika, que estava esperando para embarcar para o Egito.

O acidente aéreo mais fatal dos últimos anos na Rússia aconteceu em 17 de novembro de 2013, quando um Boeing 737 da companhia aérea russa Tatarstan de 1990 caiu no aeroporto de Kazan (Volga), o que provocou a morte de seus 44 passageiros e seis membros da tripulação.

Isso provocou questionamentos na Rússia sobre o estado de seus aparelhos aéreos, em um momento em que inúmeras companhias regionais exploravam aviões de várias décadas.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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